Dalila Carmo é Lúcia na novela Na Corda Bamba, da TVI.
Alexandra Lencastre é Fernanda.
Ambas são caras bem conhecidas da ficção portuguesa, já há muitos anos. A Dalila tem 45 anos. A Alexandra tem 53. Sendo que a Fernanda faz o papel de mãe da Lúcia, sou só eu que acho esta atribuição de papéis estranha e nada credível? É que são escassos 8 anos que as separam e é notório no aspecto físico de ambas que uma não podia nunca ter idade para ser filha da outra...
Luciano - O meu nome é Luciano. Fui apaixonado pela Eugénia e hoje morro de paixão pela Irene. E agora pergunto-vos: pode amar-se depois de se amar?
Eugénia - Eu acredito nisso. Sou a Eugénia, a primeira mulher e primeiro amor do Luciano. Amei profundamente a vida que construímos juntos até ao exacto momento em que conheci o Filipe.
Filipe - E eu digo o mesmo. Amei profundamente a minha mulher Irene até ao milésimo de segundo em que pousei os olhos sobre a Eugénia. Passei a ser só dela. Dela e para sempre.
Eugénia - O acidente que nos denunciou foi também aquilo que nos permitiu avançar, tornarmo-nos pessoas melhores, sermos mais felizes... mesmo vivendo em mundos que não se tocam. Nunca desejei ser infiel... ou mentir... ou trair... ou mesmo morrer. A única coisa que desejei na vida foi amar. E foi isso que fiz... até ao último suspiro.
Filipe - A pior das mentiras é negar o amor quando ele acontece. Isso é que é a verdadeira morte. Eu continuo vivo... porque continuo a amar, mesmo depois de ter morrido.
Luciano - Quando perdi o meu primeiro grande amor, fiz uma ferida que achei que nunca mais conseguiria sarar. Mas foi por essa mesma ferida que me entrou um novo amor que me fez viver outra vez.
Irene - O amor é um movimento contínuo e perpétuo. Enquanto dura, não há passado, nem futuro. Tudo é presente. E isso quer dizer que é sempre possível amar depois de amar.
Este foi o culminar de uma novela de 70 episódios que deu ao longo deste verão, "Amar depois de amar". Confesso que foi refrescante ter durado apenas 3 meses, em vez da eternidade a que a ficção portuguesa nos tem habituado, estendendo as novelas por temporadas e criando novas histórias ao longo da produção.
"Amar depois de amar" conta a história de dois casais que se tornam amigos através dos respectivos filhos. Um membro de cada casal apaixona-se pelo outro e vivem uma relação secreta ao longo de 3 anos. Um acidente acaba com tudo, os amantes morrem (um no início e outro no final) e os respectivos cônjuges acabam juntos.
Parece simples e pouco original e foi o que pensei quando li a história, antes de começar a assistir, mas dei-lhe uma oportunidade, apesar disso. E não me arrependi. Quando sabemos de casos destes, temos tendência a julgar automaticamente as pessoas infiéis. Esta novela mostra um pouco o outro lado da moeda. Rompe um bocado alguns preconceitos.
Não quero com isto dizer que a infidelidade é correcta ou inevitável, mas em "Amar depois de amar" conhecemos a fundo a história destes protagonistas e não conseguimos deixar de sentir alguma empatia pela forma como as coisas se desenrolam, pelos sentimentos deles. É um amor tão puro, tão intenso, tão arrebatador.
Vários crimes são cometidos ao longo da história, segredos desvendados, revelações surpreendentes. Gostei bastante, já há algum tempo que não via uma novela que me cativasse tanto (e vejo novelas regularmente). E o diálogo final diz tudo.
Ah! Também me rendi à música do genérico e que acompanha os nossos personagens. É de um artista português e foi escrita numa fase difícil da vida dele em termos de saúde, como uma forma de despedida à namorada e à família. É linda, atentem na letra. E a voz dele é top.
Há muitos anos que vejo novelas e, apesar de ter assistido a várias produções brasileiras, acompanho a ficção portuguesa desde que começou a ter mais impacto na televisão. É de mim ou têm vindo a tornar-se mais realistas? Sei que na realidade, a maioria das nossas vidas não é tão excitante e louca como as das personagens das novelas, mas não é nesse sentido, obviamente, que as vejo como mais reais.
Abordam cada vez mais temas da actualidade, como a discriminação e preconceito (não é de hoje, mas é sempre actual, infelizmente) entre raças e classes sociais; a sociedade digital, todo o impacto que a evolução da internet tem tido no mundo; a existência da homossexualidade, que durante anos foi ignorada nas novelas portuguesas. Nenhum destes temas é novidade, mas à medida que o tempo passa, reparo que são tratados com mais profundidade e representados de uma forma muito mais real.
Noto que usam muitas referências (filmes, séries, comediantes), inserem expressões estrangeiras nos diálogos, falam das redes sociais. Há uns tempos atrás, nada disto se fazia e eu, pessoalmente, sentia que aquilo não correspondia, de todo, a uma representação fiel da realidade. Inclusivé, chegou-se a inventar nomes de redes sociais, para fugir ao uso do termo "Facebook" na televisão, por exemplo (recordo-me de isto ter acontecido nos Morangos com açúcar, apesar de não me lembrar do nome que usavam). Era tudo muito artificial.
Agora, vê-se personagens a fumar (tabaco e não só!), a fazer piretes, a dizer "merda" e "cabrão" e palavras como "pinar". Outra coisa que, a meu ver, é um ponto a favor, é terem começado a explorar diferentes regiões de Portugal (e fora!). Durante muito tempo, o ponto central das novelas era Lisboa, como se Portugal fosse apenas a capital. Ultimamente, têm usado como palco das gravações outras terras deste nosso cantinho à beira-mar plantado e ainda tiveram a grandiosa ideia de se expandir para outros países, o que acho óptimo para nos ir dando a conhecer um pouco de outras paisagens e culturas.
A televisão portuguesa tem muita merda, que tem... e tem também actores que não merecem esse estatuto, mas acho que há que dar mérito ao que de bom se tem feito.
Parte da novela da TVI Valor da Vida passa-se no Líbano e, por isso, dá-nos oportunidade de ver o que todos nós sabemos: o significado de ser uma mulher muçulmana. Uma das famílias desta novela sempre viveu no Líbano, sendo agora uma mãe e duas filhas adultas. Uma delas apaixonou-se por um muçulmano e iludiu-se durante muito tempo, julgando que seria feliz ao casar-se com ele. Obviamente, não foi o que aconteceu. Assim que casaram, ela passou a ser propriedade do marido. Durante uns meses, ela ainda resiste, batendo o pé que quer sair de casa sozinha, viajar para ver a família, trabalhar em moda e ter uma carreira... Mas desiste de enfrentar o marido e a sogra quando lhe começam a bater, depois de a trancarem em casa.
O que me arrepia nesta história é que é o espelho do que se passa na realidade. A verdade é que lá, após o casamento, a mulher pode ser presa, agredida, violada... sem ter a que recorrer. E tudo isso é visto como normal, pois a mulher é um cidadão de segunda classe, que só existe para servir o homem.
A mulher adúltera pode ser facilmente morta pelo marido, com todo o direito, segundo as leis libanesas. O contrário já não acontece, pois se a esposa matar o marido infiel, é condenada a prisão perpétua ou morte por enforcamento.
Não podem viajar sozinhas, nem sem autorização do marido. Existe uma lei da proibição para isto mesmo, o que faz com que muitas mulheres nunca consigam sair destas relações, pois nem possibilidade de fugir do país têm.
Há toda uma série de coisas naquela sociedade que, mesmo eu sabendo que é assim, ainda me choca sempre que oiço falar no assunto. Não me cabe na cabeça como é que um país (vários, até!) pode ainda ser tão atrasado nesta altura do campeonato. Como é que pode considerar um ser humano tão inferior a outro? É muito revoltante... e tenho imensa pena das mulheres que têm que o ser nesses países!
De há uns tempos para cá, parece que as novelas portuguesas decidiram apostar na publicidade a certas marcas. Sim, porque dantes não se via nada disso e, inclusivé, faziam questão de contornar essa questão, não mencionando marcas nenhumas. Agora, é em todas as novelas (pelo menos da TVI). E, na maioria das vezes, os produtos que estão a publicitar são inseridos nas conversas casualmente, dentro do contexto do que está a ser falado (como os produtos para o cabelo). Ou aparece alguém em background a analisar o dito produto com a marca virada para a câmara, de forma nada subtil. Eu sei que todos nós, no dia a dia, fazemos referências a marcas nas nossas conversas, sobre produtos ou serviços que utilizamos, que aconselhamos a amigos ou colegas. Mas... é só de mim ou aquilo nas novelas parece absolutamente deslocado e nada natural?
De há uns anos para cá, já aparecem casais gay nas novelas portuguesas, o que considero ser um progresso na aceitação das pessoas com esta orientação sexual na sociedade. São integrados na ficção nacional como qualquer casal, mostrando-nos que têm vidas e relações iguais a toda a gente. Infelizmente, sei que há e sempre vai haver muito preconceito e homofobia, mas eu, pessoalmente, escolho ignorar a existência dessas mentes pequeninas e aplaudo a progressiva aceitação da diferença do considerado comum. Aplaudo também os actores que se sentem confortáveis em fazer estes papéis, que incluem carinho e beijos entre pessoas do mesmo sexo, é bom perceber que nem toda a gente neste país se sente repugnada com uma coisa que eu vejo como tão natural. Contudo, não posso deixar de reparar que aparecem sempre casais do sexo masculino e nunca feminino. Intriga-me. Talvez até já tenha surgido e eu, assim de repente, não me estar a lembrar, até porque não assisti a todas as novelas que já passaram na televisão. Porém, do que me lembro, não é costume aparecerem lésbicas e eu pergunto-me porquê. Principalmente, porque nesta sociedade machista, duas mulheres a trocar carinhos é sempre melhor aceite do que dois homens com o mesmo comportamento. Será que a razão é essa e a ideia é mesmo incutir nas pessoas a normalidade de um casal homossexual do sexo masculino?
Passo muito tempo sem ver novelas. Via muitas antigamente, antes de trabalhar, ser mãe e independente. E quando havia menos coisas para ver. Agora, tenho sempre 1001 séries para acompanhar, a família, a casa... e o tempo não estica. As últimas que vi foram o Mar Salgado e o Coração d'Ouro na SIC, ao mesmo tempo que via A Única Mulher na TVI (que durou eternamente e acabei por não ver os últimos episódios, porque se tornou cansativa). Ouvi acerca do início da Rainha das Flores, Amor Maior e Espelho d'Água na SIC; d'A Impostora e do Ouro Verde na TVI. Nenhuma me despertou a atenção. Porém, a apresentação das imagens d'A Herdeira, essas sim, fizeram-me olhar duas vezes.
Espero não me arrepender, como aconteceu com A Única Mulher, mas esta novela, a história, as imagens lembram-me a primeira novela que vi, ainda pequena, a Explode Coração.
Alexa é incriminada
O assassinato do general Emiliano
Beatriz e o pai, Emiliano
Joaquim e a futura esposa, Beatriz
A morte do candidato a presidente do México
O casamento de Beatriz e Joaquim
Duarte encontra Alexa com a arma do crime
Luz escondida no casamento
Luz a fugir (está sempre em fuga!)
Sei que, nos primeiros episódios, as novelas são logo muito emocionantes e com muitos segredos por revelar, mas espero não perder o interesse por esta. Parece-me gira. Assisti a 3 episódios e gostei do que vi até agora. Mais alguém começou a ver A Herdeira?
Esta novela passou na televisão há 21 anos, é de 1995. Ou seja, eu tinha 7 anos! Mas acompanhei a novela. Oh, céus, eu via tanta novela brasileira quando era pequena. Agora penso como é que uma pequenice daquelas podia gostar de assistir a uma novela, mas... a verdade é que assistia e gostava. Lembro-me bem desta. Aquilo era tudo mágico para mim, o mundo cigano, a alegria deles, a música no acampamento, a dança à volta da fogueira, a sedução do príncipe encantado, a luta entre dois príncipes pela sua princesa cigana. Acho que nunca me vou esquecer da Dara e as suas saias compridas, as lantejoulas, o cabelo comprido e encaracolado e toda a magia que envolvia o mundo dela. E por aqui, alguém se lembra da Explode Coração?