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domingo, 4 de agosto de 2019

O meu dia hoje...

... foi assim.

Cinco crianças. 9 meses, 10, 8, 5 e 2 anos.

Os dois mais velhos sujaram o chão do quarto com plasticina do jogo Pisa a Caca.

A de 8 rachou-me uma mesa plástica que eles usam para pintar, porque se empoleirou lá em cima à caça de bolas, depois de terem andado todos (menos a bebé, claro) a fazer voar as bolas pela sala.

O de 5 fez chichi no colchão onde dorme a sesta, no chão e na roupa toda que tinha vestida.

A de 2 fez uma birra maior que ela para dormir a sesta e ao lanche abriu as bolachas ao meio e esfregou o recheio de chocolate pela cara toda.

A minha gorda mais pequena fez este servicinho:


Entre almoços, lanches, jantares, fraldas, brinquedos, biberões, desenhos animados, banhos e um sem fim de afazeres, acabou com estas pilhas simpáticas:



E com isto me retiro para os meus aposentos.

domingo, 7 de abril de 2019

O novo projecto

Como referi por aqui, a minha vida mudou com a chegada da pequena em todos os sentidos, sendo um deles a vertente profissional. Não me renovaram o contrato (choque...) e eu, como as contas não deixam de chegar por causa disso e porque tenho dois filhos para sustentar, decidi não baixar os braços. 

Em janeiro, tirei uma formação em unhas de gel, oferecida como prenda de natal pela minha tia e em boa hora veio. Assim que soube que ia ser despedida, fui comprar algumas coisas para me poder iniciar nesta área. Ainda há muito a aprender e um mundo de coisas que tenho/quero comprar, mas com calma lá chegaremos.

Para já, venho mostrar o que tenho andado a fazer!




domingo, 3 de março de 2019

E o emprego?

A licença de maternidade acaba dia 23 de março. O meu contrato renovava ou caducava a 1 de abril. E eu fiquei desempregada. A empresa decidiu que não me ia renovar o contrato. A mim e a mais meia dúzia de mulheres que estão grávidas ou foram mães. Nada que não estivesse à espera, na verdade, porque é mesmo assim que funciona em Portugal. Já me tinha mentalizado desta ideia há algum tempo, pelo que não foi nenhum choque. O curso de unhas de gel que a minha tia me ofereceu no Natal vai servir para tentar investir nessa área. Já fiz a formação e comprei material. Já comecei a fazer em mim e familiares para treinar. E comecei agora a tomar conta de um menino de 3 anos. Reviver a experiência de ser ama. Fazer pela vida. E é neste ponto que estamos!

sábado, 16 de dezembro de 2017

Trabalhar à noite


A fábrica onde trabalho anda em mudanças e uma delas são os horários. Há uma semana, comecei a fazer o turno da noite. Eu sou uma pessoa muito sonolenta, mas isso, neste caso, abona a meu favor, porque consigo dormir bem de dia. Basta encostar-me, que adormeço em qualquer lado, seja a que horas for. Muitos colegas meus queixam-se que não conseguem, porque há sempre barulhinhos que não se ouvem durante a noite, ou porque os filhos vão almoçar a casa, ou porque não têm sono quando saem e não se deitam logo, ou porque se deitam e só conseguem descansar 3 ou 4 horas... seja qual for o motivo, a maioria das pessoas não se sente capaz de descansar convenientemente quando trabalha a noite toda. Eu, para dizer a verdade, não me importo. E acho que posso até dizer que, dos três turnos, é o que me custa menos. Em primeiro lugar, é menos uma hora de trabalho; em segundo lugar, não preciso acordar de madrugada, no auge do frio. O turno que mais me custa é o da manhã; não gosto de acordar forçada pelo despertador e ter que sair pouco depois para ir trabalhar. Prefiro assim, adormeço pela manhã, depois do banhinho tomado, acordo, lancho, passo tempo com o meu filhote, faço o que há para fazer, janto... descanso um bocadinho e, depois sim, vou trabalhar. A minha experiência, até agora, tinha sido com manhãs e tardes/noites, no máximo, até à 1h da manhã. Não sabia como era passar a noite a trabalhar, mas confesso que não é mesmo nada mau!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Dramas de casa-de-banho

O meu percurso na fábrica tem sido atribulado. Entrei para uma linha na montagem final, comecei a aprender, conheci as pessoas de lá, mas a coisa não correu muito bem, pelo que me mandaram para outra linha. Novo team leader, novos colegas. Mais uma tentativa falhada, então mudaram-me para outra área, fui para a pintura. Como foi uma troca com uma pessoa de lá, tive que mudar de turno. Ao fim de 3 dias, voltei para o turno que me interessava, pois pedi para trocar, se houvesse oportunidade. Integrei a equipa daquela linha no turno onde agora estou. Comecei a aprender, foram buscar-me para outra linha dentro da pintura, porque lá precisavam de pessoas. Fui... Aprendi algumas coisas, para chegar um certo dia dizerem-me que tinha que voltar para onde estava, porque, afinal, não podia ficar ali. Enfim, tenho, basicamente, andado ao pontapé lá dentro. De qualquer forma, agora, na pintura, tenho que usar um fato completo antiestático, com fecho à frente. Assim, como na imagem.


O que me traz imensos problemas na hora de ir ao WC. Principalmente, quando tenho que ir à hora dos intervalos. São 10 minutos desde que saio da linha até que volto e a linha arranca, estejamos lá ou não, portanto, convém despachar-me. E é um tempo muito curto. Pior por estar transpirada e o fato custar a tirar. É que, caraças, tenho que me despir toda para ir fazer um xixizinho! E imaginem este drama duplicado quando temos aquelas emergências femininas. Nope. Quem desenhou esta farda, certamente não era mulher!

sábado, 18 de novembro de 2017

A minha experiência em callcenter


A esmagadora maioria dos testemunhos que oiço sobre callcenters é negativa. Oiço coisas difíceis de acreditar que são verdade, mas não tenho dúvidas de que acontecem. Vai desde não deixarem os operadores irem à casa-de-banho até terem, constantemente, o supervisor por cima do ombro a fazer pressão, principalmente quando se trata de vendas. Pressionar os funcionários para vender é o prato do dia em telemarketing e se não trabalham bem sob pressão, este não é o trabalho para vocês. Quando me contactam, apesar de ser peremptória e afirmar que não estou interessada no que estão a vender, tento manter a boa-educação (ainda que me falte a paciência) porque já estive do outro lado. Trabalhar num callcenter é ser pressionado durante as 8 horas de trabalho, é falar com inúmeras pessoas ao telefone, é ouvir problemas sobre o serviço todo o dia, é garantir que não usamos as palavras erradas, é ter uma conversa usando um guião com palavras-chave e não fugir do protocolo, ou levamos na cabeça. Contudo, venho falar do outro lado. Porque este mundo não é apenas um buraco negro que nos suga a energia e a sanidade mental. A minha experiência nesta área não foi má. Estive em dois a vender e noutros dois a fazer apoio ao cliente. Primeiro ponto: apoio ao cliente é, sem qualquer sombra de dúvida, melhor. Vendas é uma área difícil e todos vocês sabem como este mercado é agressivo, saturando os potenciais clientes. É muito complicado apanhar alguém disponível para ouvir até ao fim e, mais complicado ainda, quem queira comprar o que estamos a promover. Por outro lado, no apoio ao cliente, estamos lá para receber chamadas de quem escolhe contactar-nos e para resolvermos eventuais problemas ou esclarecermos dúvidas sobre o serviço. Somos menos atacados e insultados. A pressão não me incomoda, sempre trabalhei sob pressão e não me enervo facilmente. Acontece, claro, mas não me assusta. Conheço quem prefira trabalhar numa fábrica do que num callcenter, mas eu não sou dessas pessoas (apesar de, ironicamente, trabalhar em ambiente fabril há 5 anos). Gosto de estar sentada a um computador a atender chamadas, registar os problemas e tentar resolvê-los. Gosto de poder usar a minha roupa e os meus sapatos em vez de uma farda. Gosto do facto de ser um trabalho limpo e fisicamente pouco cansativo (embora a cabeça, às vezes, acuse o cansaço), ao contrário daquilo que é numa fábrica. Gosto de poder almoçar/jantar com calma e relaxar um bocadinho antes de voltar ao trabalho, sem ter que fazer tudo às pressas. O que quero salientar é que não devem descartar a hipótese de trabalhar num sítio assim, porque, quem sabe, até podem vir a gostar.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Conversar no trabalho


Desde que entrei para a nova empresa, toda a gente me mói a cabeça porque eu não falo. Recordo-me que, há 5 anos, quando entrei para o meu anterior emprego, também me perguntavam se eu era sempre assim tão caladinha. Claro que, com o tempo, começo a ficar um pouco mais conversadora, mas a verdade é que eu não sou mesmo muito de grandes conversas. Inclusivamente, saí da fábrica onde estive todo esse tempo sem deixar lá amigos. Deixei colegas de quem gostava, pessoas porreiras, divertidas, mas não criei raízes. Porque eu sou mesmo assim, não me ligo às pessoas. Uma das minhas colegas disse-me que devia falar com eles, que faço parte da equipa, que assim o tempo passa mais rápido, nem que seja para dizer disparates e que, se não falar, vão começar a pensar todo o tipo de coisas, como por exemplo que eu não gosto de estar ali ou que não gosto das pessoas com quem trabalho. Vamos lá a ver... eu sei que sou um bichinho antissocial, mas, afinal, eu estou lá para fazer conversa ou para trabalhar? Não sabia que ser faladora era um pré-requisito para ser funcionária ali. Não tenho que fazer conversa de circunstância só porque podem pensar isto ou aquilo. Sou uma pessoa que não gosta de falar, nem de grandes confianças com desconhecidos, que é aquilo que eles são para mim. Não tenho nada contra as pessoas, nem razão de queixa, na verdade, todos têm sido impecáveis comigo, explicam-me tudo, tiram-me todas as dúvidas que eu possa ter, são simpáticos. Contudo, eu não estou ali para conversar e se eu quiser estar só na minha a trabalhar, é isso que vou fazer, ora essa.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Azares de gaja


Hoje começou aquela altura chata do mês para mim. O que corresponde a mais idas à casa-de-banho. E coincidiu com uma alteração que me fizeram no trabalho. Deixei de estar na montagem final e passei para a pintura, foi hoje o primeiro dia. O que significa conhecer todo um edifício novo, pessoas diferentes, farda nova, outras rotinas... porque aquilo é todo um mundo à parte, que até têm refeitório próprio, não se misturam com o resto da fábrica. Confesso que é um pouco estranho, porque sinto que estamos excluídos do resto do mundo ali dentro. De qualquer forma, é todo um processo de aprendizagem outra vez, não só do trabalho, como do local. Inclusivamente, saber onde são as casas-de-banho. E se hoje precisei delas!

Além disso, hoje foi-me atribuído um cacifo (finalmente!) no balneário feminino. Estou há quase um mês na fábrica e nunca se preocuparam com isso, foi sendo sempre adiado. Hoje, assim que entrei na nova área, entregaram-me logo a chave e levaram-me ao balneário para conhecer o espaço e descobrir o cacifo para o poder começar a usar. Peguei no que queria ter perto de mim e que cabia nos bolsos (pensando eu que tinha tudo) e deixei lá a mala. Algum tempo depois, já no posto de trabalho, comecei a sentir-me um bocadinho desconfortável e lembrei-me que tinha deixado os tampões dentro da mala. Avisei a pessoa que me estava a dar formação que precisava de ir ao balneário, mas ninguém se dignou a dizer-me que as portas estavam trancadas durante o horário de trabalho. Primeiro, perdi-me, tive que voltar para trás e perguntar o caminho (ficam já a saber que o meu sentido de orientação é o pior de SEMPRE). Depois, cheguei lá e bati com o nariz na porta. Não sabia o que fazer, nem onde me dirigir, pelo que contactei a portaria e mandaram um segurança para me ajudar. Com isto, demorei uma vida a despachar-me e cheguei à linha à hora de voltar para trás, para jantar. Este foi o primeiro stress que tive devido a essa coisa fantástica que é a menstruação. Mas não ficou por aí.

De manhã, fui às compras, mas esqueci-me dos tampões, pelo que pedi ao B. para mos comprar quando chegasse do trabalho (esta semana, estamos em turnos trocados), para ter à noite, quando tomasse banho depois do trabalho. Tomei o meu banho calmamente, para, no fim, descobrir que tampões, tá quieto. Esqueceu-se, com tanta coisa que temos para fazer e em que pensar. 1h da manhã e eu enrolada na toalha com um drama destes em mãos. Sim, porque é dramático! O que é que ia fazer? Felizmente, a minha irmã saiu comigo do trabalho à mesma hora, portanto, sabia que ela estava acordada e pedi-lhe encarecidamente para que me viesse trazer uns tampões para me desenrascar. E ela lá veio. Quem tem uma irmã, tem tudo, minha rica menina!

Mulher sofre.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Trabalhar no estrangeiro


Sempre houve muita gente a emigrar à procura de uma vida melhor, um emprego mais estável, um rendimento mais alto, melhores condições no trabalho e maior qualidade de vida. Sempre aconteceu e continua a acontecer, porque, infelizmente, por cá, nem sempre há condições para nos mantermos no nosso país e levarmos o nível de vida que achamos justo e merecido. Conheço algumas realidades: de pessoas que foram sozinhas, sem nada que as prendesse cá, estiveram fora durante algum tempo e voltaram; outras (a maioria, na verdade) foram e fizeram a vida delas por lá; e, ainda, casos de casais, em que uma das partes vai e a outra fica. Porém, nunca dediquei muito tempo a pensar como é, na realidade, a vida assim. Admito que não era uma vida que eu fosse capaz de adoptar, a de ir para fora, levar o meu filho (porque nem pensar em ir seja para onde for sem ele) para longe de tudo o que conhece, separá-lo da família... sendo ele super chegado aos meus pais e irmã. Contudo, surgiu agora uma oportunidade de o B. ir trabalhar para fora durante dois anos, em princípio. Não é um emprego de sonho, mas é bem pago, estadia e alimentação pagas. No fundo, ia ter poucos gastos e seria mais dinheiro a entrar para o nosso orçamento familiar. Racionalmente, não é difícil ver qual o melhor caminho, certo? Só que não é só isso que pesa. Não sei qual seria o impacto desta mudança na nossa relação, na nossa família. E não sei se estou preparada para isso. Ainda estamos a pesar os prós e contras, mas não me agrada pensar que o B. vai estar tão longe de nós durante tanto tempo... perde o convívio do dia-a-dia connosco, partes do crescimento e da evolução do pequeno, deixamos de partilhar pequenas coisas e pormenores que vão passar ao lado, porque, por muito que a internet e a tecnologia ajudem e aproximem as pessoas, não há absolutamente nada como a interacção pessoal, principalmente, numa relação amorosa e familiar. É um afastamento inevitável, porque acabamos por não viver em família. Qual a vossa opinião sobre este assunto?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

As empresas e as drogas


Na empresa onde trabalho, como em tantas outras, fazem-se testes de despiste de drogas. E o que acho eu sobre isto? Não estou de acordo. Aliás, estou parcialmente de acordo. Existe um teste destes que é feito com um cotonete na boca, o que permite ao empregador perceber se o funcionário está, naquele momento, sob o efeito de drogas. Isso acho bem, é controlar o empregado durante o horário de trabalho, saber se ele não está a quebrar regras, se não se está a colocar a si próprio e aos outros em perigo. Até aí tudo bem. Porém, muitas empresas fazem este despiste através de análises ao sangue e à urina, o que remete estes resultados para consumos até vários meses antes. O que, a meu ver, é ridículo. Que direito têm eles de controlar o que as pessoas fazem fora do horário de trabalho? A mim, pessoalmente, não me afecta em nada, porque não consumo e estou tranquila. Fiz estes mesmos testes quando entrei. Mas acho um absurdo que obriguem as pessoas que trabalham para eles a abdicar de algo que fazem nos tempos livres e que não prejudica a empresa, nem o trabalho desempenhado. É uma medida que só faz com que percam, muitas vezes, bons funcionários, desnecessariamente. E deitam logo por terra as oportunidades que essas pessoas podiam ter ali. Não é por fumarem ganzas que são piores pessoas ou piores trabalhadores. Não apoio, nem encorajo quem fuma, mas acho que cada um é responsável pelo que faz e não afecta ninguém além do próprio. Não consigo entender este preconceito. Estas coisas deixam-me piursa.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Aniversário diferente


Ontem fiz 29 anos. E o meu aniversário foi passado no trabalho. Entrei às 15h30 e saí à 00h. Almocei com os meus dois meninos, porque fomos buscar o L. à escola. Mas foi tudo. Ontem foi, oficialmente, o primeiro dia a trabalhar. O primeiro dia com as mãos na massa. Primeiras impressões? A fábrica é gigante, não encontro o caminho para lado nenhum; 7 minutos de pausa desde que saio da linha até que volto não dá para nada; 30 minutos de refeição, desde que saio da linha até que volto obriga-nos a engolir a comida quase sem mastigar e correr de volta para o posto de trabalho, porque a linha arranca entretanto; puseram-me a aprender o que os meus colegas dizem ser a pior posição de todas. Tenho que andar sempre agachada, de joelhos e de rabo para o ar dentro do carro que vai na linha. Enquanto isso, outros colegas vão fazendo outras coisas à volta. O chão do carro cheio de fichas e eu a gatinhar lá por cima para encaixar peças e ligar fichas. Tenho as pernas, do joelho para baixo, completamente massacradas. E os músculos do corpo todos a latejar. Quando os meus colegas me disseram para tomar um Brufen ao fim do dia, não estavam a brincar! Foi cansativo e uma grande dose de informação. Tenho que saber que parafusos usar em cada encaixe, qual a ferramenta certa, alguns carros tenho que ler o código de barras, outro não, os encaixes são diferentes de modelo para modelo, se houver alguma peça em falta ou incompleta, tenho que carimbar uma folha. Tudo com a linha em andamento, quando entro no carro estou cá atrás, quando saio já estou noutro sítio e isso ainda me faz confusão, porque me perco. Prevejo dias difíceis nestas primeiras semanas!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Mudanças! Sempre difíceis...


Como referi no meu último post, decidi fazer uma mudança na minha vida profissional. Saí da fábrica onde trabalhei 5 anos. Dia 2 vou começar formação noutra empresa. Hoje foi o meu último dia. Sou, geralmente, uma pessoa um pouco fria e desligada, mas, na verdade, habituei-me às pessoas, ao sítio, às rotinas. Não vou sentir a falta do trabalho, porque não me satisfazia. Mas, certamente, vou sentir muito a falta das pessoas. Levei bolinhos para a despedida e andei a distribuir beijinhos e abraços (raríssimo em mim, não sou nada dada a essas mariquices!). Este dia traz-me uma mistura de sentimentos. Deixar aquele trabalho para trás dá-me uma sensação de liberdade, de leveza, mesmo sabendo que vou iniciar outro dentro de uma semana. É saber que vou mudar de chefia, de colegas, de local de trabalho, de horários. Vou trabalhar por turnos rotativos em vez de apenas um fixo. Vou, em determinada altura, ter uma folga rotativa e outra ao domingo, em vez de ter o fim-de-semana fixo. Vou deixar de ser uma trabalhadora temporária, ao fim de anos a trabalhar nesse regime. Vou mudar de ares e iniciar uma nova etapa. É uma sensação boa. Por outro lado, deixa-me com uma nostalgia imensa, um peso no peito. Desde o momento em que cheguei à paragem de autocarro esta manhã, até sair para voltar para casa, senti tudo com mais intensidade do que em qualquer outro dia. Estar na paragem às 7h30, abrir o cacifo no balneário para me preparar para mais um dia, percorrer aquele caminho da nave fabril até ao armazém, o almoço naquele refeitório, todas as conversas, convívio e brincadeiras com os colegas, as piadas privadas. No fim do dia, quando retirei todas as minhas coisas do cacifo, senti um aperto no peito e despedi-me daquele local de vez. Passei o dia a despedir-me das pessoas, a falar sobre o assunto e aguentei firme todas as palavras de apoio, de força e de carinho, todos os abraços apertados, todos os elogios e beijinhos repenicados. Assim que me sentei no autocarro para voltar para casa, desabei. Silenciosa, sentada no meu banco, encostada à janela, chorei. Foi uma escolha minha, fi-lo por opção e aceitei as consequências desta mudança que quis fazer. Mas, naquele momento, senti que estava a deixar a minha segunda casa.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Novidades...

Despedi-me. Há 5 anos, entrei numa fábrica, onde acabei por travar conhecimento com muita gente e trabalhar com pessoas muito porreiras. Esta é a minha última semana lá. Vou sair por opção. Dali levo a minha primeira experiência em ambiente fabril, a aprendizagem do trabalho em linha de montagem e armazém; a primeira vez que tive que usar farda e o primeiro contacto com o ramo automóvel. Em 2012, pus o pé naquela fábrica com receio de não me habituar àquele tipo de trabalho, perdi-me meia dúzia de vezes nos primeiros dias e, agora, conheço de uma ponta à outra aquele espaço que já me é tão familiar. Surgiu uma nova oportunidade também em fábrica, mas com bastante melhores condições e regalias. Há cerca de um mês que comecei o processo de recrutamento, sempre sem saber se chegaria ao fim. Na semana passada, passei a última fase. Já entreguei toda a documentação e experimentei o fardamento. O passo seguinte foi contactar a empresa de trabalho temporário que me emprega actualmente e assinar a carta de rescisão. Hoje falei com o meu chefe. E já comecei a dizer aos meus colegas que o meu percurso ali está a chegar ao fim. Confesso que estava confortável ali e tenho algum (muito!) receio que as coisas não corram bem, não vou mentir. Mas não quero acabar num trabalho que não é o que desejo, com condições muito abaixo daquilo que quero para a minha vida. Achei que devia arriscar. Agora, vamos ver!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Colegas de trabalho

Na fábrica onde trabalho, os temporários não podem ficar por mais de um ano. Têm que sair e ficar um mínimo de quatro meses fora da empresa, para depois poder voltar. Não é o meu caso, porque o pequeno sítio onde estou é chamado de outsourcing (recebemos menos, mas temos direito a férias e a ficar por termo incerto). Esta semana, um colega meu completou um ano e, por isso, teve que sair. Na 4ª feira, veio um rapazinho substitui-lo. Devo dizer que ali existe um pouco de má gestão e organização. Nunca recrutam a pessoa nova enquanto a outra ainda lá está, para integrar e dar formação a quem vai substitui-lo. Contratam o substituto e largam-no aos leões. Depois passa-se um de dois cenários: ou essa nova pessoa apanha colegas disponíveis e pacientes para o ensinar e ajudar ou tem o azar de ficar com pessoas que não estão interessadas em ensinar ninguém, o que dificulta muito a integração. Eu já tive que ser ensinada lá várias vezes, pois não estive sempre no mesmo sítio e sempre tive sorte, porque apanhei colegas simpáticos, que me ajudaram sempre. E onde estou agora, não é que não goste dos colegas que tenho, mas sei que não são fáceis de lidar quando se entra de novo. Nenhum deles se disponibilizou para ensinar o rapaz. É um miúdo de dezanove anos, que, provavelmente, nunca trabalhou e é assim caladinho. Precisa de orientação, obviamente. Eu e as minhas duas colegas estamos numa parte do armazém em que só o podemos ajudar até certo ponto, porque a grande maioria do trabalho que ele deve fazer é da responsabilidade de quem conduz as máquinas e esses, simplesmente, não estão nem aí para o miúdo. Devido ao facto de as coisas serem feitas muitas vezes em cima do joelho e precipitadamente em muitos aspectos, os funcionários ficam aborrecidos com a forma como as coisas são conduzidas. E um dos pontos que os está a lixar é terem mandado o rapaz que lá estava embora, porque ele era desenrascado, despachado, fazia tudo, já conhecia o trabalho e havia uma esperançazinha pequenina que lhe fizessem um contrato pela empresa, o que não aconteceu. Vai daí, está tudo emburrado e, apesar de o rapaz não ter culpa nenhuma disto, ignoram-no. Não têm paciência, nem vontade de o ensinar. Fazem o trabalho deles e o moço anda lá, meio perdido, atrás deles, muito provavelmente, a sentir-se um inútil, porque nem lhe dão trabalho, nem lhe explicam como se faz. Acreditem que até me dá alguma pena, porque certamente essas pessoas não gostariam que fizessem o mesmo aos filhos deles, quando estes começarem a trabalhar. É nisso que penso quando olho para estes miúdos: um dia pode ser o meu.

domingo, 21 de maio de 2017

Bye bye weekend


A sério, quem foi o idiota que inventou esta treta de trabalhar 5 dias e descansar 2? Todos os domingos tenho em mim esta raiva de antecipação por já estar a acabar o fim-de-semana. Como é que amanhã já é segunda-feira? Como se não bastasse ter que ir trabalhar, ainda tenho que acordar cedo. É o inferno na terra, digo-vos eu. Lá vou eu, às 7h30 da manhã, arrastar o meu mau-humor pré-trabalho para a paragem de autocarro e enfrentar mais uma semana infernal. Que ódio...

sábado, 1 de abril de 2017

5 anos

Faz hoje, dia 1 de Abril, 5 anos que entrei para a fábrica onde trabalho. Já entrei e saí várias vezes, faz parte de trabalhar em regime de trabalho temporário, mas sempre por pequenos períodos de tempo. Não é o meu trabalho de sonho. Não é o que quero para o resto da vida. Não é aquilo que pensei estar a fazer 5 anos após ter entrado para lá. Ainda assim, é de assinalar. Foi onde estive mais tempo. Onde aprendi o que era trabalhar numa fábrica. Onde fiquei a saber como é trabalhar numa linha de montagem e num armazém. E onde já conheci muita gente. E, sobretudo, porque hoje em dia, é difícil manter um emprego e eu posso dizer que tenho tido a sorte de me manter.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Férias no trabalho

Esta semana sou a única a trabalhar no sítio onde estou. Naquela parte do armazém, somos 7 pessoas. 3 no meu turno e as outras 4 distribuídas pelos outros dois turnos. Esta semana, foram todas de férias. Só precisavam de uma pessoa, porque a fábrica está paradíssima e só ia sair uma embalagem. Fiquei eu. Tenho a dizer-vos que estou a adorar! Só estou eu e meia dúzia de gatos pingados espalhados pela fábrica. Ninguém me chateia, não há pressão, não há barulho de máquinas, não há corre-corre, nem gritos. O trabalho que era preciso fazer acabei ontem. Entretanto, já adiantei um monte de trabalho para a próxima semana. Estou sossegada, faço as minhas pausas calmamente, vou ao WC e fumar um cigarro sem pressas, quando me apetece. Sem filas para sair ou entrar, sem chefes a cirandar, o balneário quase vazio. A fábrica parece um deserto e está-se tão bem! Toda a gente que foi de férias esta semana estava com muita pena, coitadinha de mim, que ia ficar a trabalhar quando tudo está a gozar férias. Ora essa. Não tenham pena. Antes trabalhar nesta do que nas próximas. É a melhor altura para se estar lá!

sábado, 18 de maio de 2013

Foi bom enquanto durou

Dizia eu que estava numa maré de azar. Parece que continua. Fiquei sem trabalho! Ontem a coordenadora foi ter connosco para assinarmos as folhas de ponto. Mandaram os temporários todos embora da fábrica, devido a uma grande baixa de produção. Isto acontece muito ali, mandam embora e chamam quando precisam novamente. No entanto, houve gente a entrar há pouco tempo e o pessoal do armazém tem pedidos para novo material, daí que não perceba. Andaram lá fornecedores esta semana e clientes da fábrica a fazer auditorias. Ouvi conversas por lá de que falta material por falta de pagamento aos fornecedores, também se diz que houve algum cliente que desistiu da fábrica, enfim. A própria coordenadora não sabe o porquê disto e diz que o chefe não tem previsão para quanto tempo vai durar assim. Se no primeiro dia de trabalho só me apetecia chorar, no último dia, chorei mesmo. Estou de volta a casa.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Bacoradas

Tenho uma colega que é um espectáculo para mandar bacoradas. A tal que stressa com tudo e não ouve os conselhos que lhe dão. Como ontem, que estava na linha, de cabelo preso, sozinha, perfeitamente visível, de telemóvel no ouvido. Ao menos, ia para qualquer lado onde não se visse tão bem, soltava o cabelo, punha o raio de um auricular. Sinceramente... 


Anyway... Toda a gente lá às 18h e às 23h vai ao break. Ela não. Ela vai ao "brék". E, por muito que nos oiça dizer break, ela insiste. Ah e, aparentemente, tem um telemóvel com "touch scream". Corrigi-a nesta última. Assim que a ouvi... "tens o quê??" e ela lá repetiu aquilo. Causou-me tanta impressão, que tive que lhe dizer que era touch screen. Óbvio que, depois disso, já a ouvi dizer mal outra vez. Porque ela, como a maior parte das pessoas quando corrigidas, entra-lhes a 100 e sai a 200.

Um outro colega perguntou-me ontem se tirei algum curso de português. Estou lá há um mês e tal e já conhecem esta faceta (irritante) minha, apesar de eu até me controlar muito, porque ouve-se ali com cada pontapé na língua portuguesa... de bradar aos céus!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Excesso de visão

Qualquer dia, mandam-me embora por excesso de visão, como as minhas colegas dizem. Os módulos de ar condicionado, depois de passarem pelo testador, têm que ser inspeccionados por nós, ver se tem riscos, brilhantes, marcas, falta de tinta, etc. Ora... eu vejo toda a porcaria, até os pequeninos e que passam, que não fazem mal. Mas, como é o meu nome que vai para o cliente, rejeito tudo o que me causa dúvidas, para os técnicos verem. Eu e outra colega, que também vê e rejeita tudo, pelo mesmo motivo que eu. 

É preferível, penso eu, reter os módulos para confirmar que não há problema, do que mandar logo para o cliente e depois voltar para trás, certo? É trabalho a dobrar para nós, porque depois muitos voltam para a nossa linha para serem empacotados, mas aqui a pequena Cy tem medo de fazer asneira, ora essa. Eu e essa colega já fomos chamadas pelo técnico para lhe mostrarmos as falhas que encontrámos, que ele não via a maior parte. Mostrámos-lhas todas. E muitas podiam passar. Como é que uma pessoa sabe??

Pois que ontem, estava a Cy na linha quando vê o técnico a aproximar-se. A Cy diz à colega "já nos vem dizer que estamos a rejeitar coisas a mais". O técnico entra: "andam a rejeitar coisas a mais". Deverei jogar no Euromilhões?


(Queridas pessoas, não tenho tido tempo para nada, peço imensa desculpa pelas ausências nos vossos blogs e pela falta de actualizações mais frequentes aqui)

Do Natal

Este ano vamos ter um Natal diferente. Infelizmente, não poderemos comprar prendas a ninguém. Estamos numa situação delicada neste momento ...