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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Tradições são boas?

Acabo de ler o seguinte numa página de facebook que fala sobre o ambiente que se vive na aldeia: "Por aqui não há subsídios para toda a vida, por aqui não se fecham cães e gatos em apartamentos vivendo encurralados e sem liberdade, com exceção daqueles minutinhos que vão à rua dar uma mijadela, por aqui não se sofre com o que não temos, por aqui vive-se com o que a vida nos dá, honradamente. E sim, os nossos corações são autênticos, tal como as nossas tradições!" acompanhado de uma foto da matança do porco.

E depois um rol de comentários, maioritariamente ofensivos. Cada vez menos me meto neste tipo de discussões, porque chego à conclusão que não vale a pena. E se, por vezes, me apetece defender o meu ponto de vista e apresentar argumentos, outra vezes, não me sinto com forças para isso, porque não vai levar a lado nenhum senão a insultos que é como, invariavelmente, acabam estas discussões online. Muitos defendem que as tradições são para ser mantidas, que "o antigamente é que era", que as crianças não tinham tantas doenças como agora, enfim, um sem fim de coisas...

Já para não falar no facto de ser uma tremenda discriminação às pessoas que vivem na cidade, assumindo que são todas más para os animais, aproveitadoras a viver dos subsídios, queixinhas que não fazem pela vida. Bom e mau há em todo o lado!

Francamente, isto é uma guerra na qual eu não me sinto capaz de participar. Mas deixo a minha opinião. Acho que o texto é uma posição extrema. Sim, nas aldeias o ambiente é diferente, não há a confusão e a poluição da cidade e há possibilidade de ter os animais em liberdade em vez de presos em apartamentos. Mas é isso que acontece sempre? Não. Há muitos acorrentados nos quintais, outros abandonados e pouco se investe na esterilização dos animais para prevenir o que quer que seja.

Vi um comentário que achei curioso! Que devíamos voltar a 100 anos atrás "para vermos o que era bom e se teríamos sempre legumes para comer". Bom, vamos lá compreender uma coisa. Mesmo quem come carne... não significa que se sinta confortável para assistir a matanças ou ficar indiferente a imagens fortes, bem como aos guinchos dos animais. E para os que abdicaram da carne e a quem este comentário terá sido dirigido... aplaudo a decisão e o estilo de vida. Para o comentador... meu caro, o que seria de nós se não evoluíssemos?

E já me começa a irritar esta coisa das tradições. Tenham lá dó, por favor. As tradições mudam-se, que eu saiba e, muitas vezes, para melhor. Touradas são tradição. E já sei que há muita gente que gosta. Mas a mim mete-me nojo. E depois argumentam que os touros só são criados por causa das touradas, caso contrário, serão extintos. Francamente, qual é o lado bom de só existirem para serem torturados? É que eu não o vejo! E acho terrível que os animais sejam torturados para entretenimento... mas é a minha opinião. Espero sinceramente que seja uma tradição a extinguir-se em breve!

Também já foi tradição a mulher ficar em casa e, quem sabe, levar umas tareias de vez em quando, para andar sempre na linha. Também já foi tradição na Igreja Católica queimar pessoas em praça pública, só porque as suas opiniões não estavam de acordo com a religião. E por aí fora. Tradição não significa que seja positivo. As coisas mudam e ainda bem!


P.S. - acho que, ainda assim, o problema maior é as pessoas não saberem respeitar a opinião alheia e não saberem argumentar sem insultar quem discorda delas. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A vida nos states

Após tanta televisão americana, confesso que tenho alguma curiosidade em conhecer melhor aquilo que vemos na TV e que é tao diferente da nossa cultura. 

Ao assistir às séries e aos filmes americanos, fiquei com a sensação que eles jantam cedo como o caraças! Tipo 17h, 18h... E também devem levantar-se cedo, porque, na maioria das vezes, os pequenos-almoços são em família e tomados à mesa (não me baseio só no que vejo na TV - apesar de ser maioritariamente por aí - e claro que não é geral, acredito que haja excepções). Por cá, a experiência que tenho é que, mesmo que as pessoas que vivem na mesma casa se levantem e saiam à mesma hora, é tudo com tempo contado e que não se dá grande importância a essa refeição.

Outra grande diferença, ainda relativamente ao pequeno-almoço, é o que eles comem versus o que nós comemos pela manhã. Em Portugal, aposta-se num pequeno-almoço mais leve (o que é um erro, dado que deveria ser a refeição mais importante do dia), geralmente composto por leite, cereais, uma sandes, torradas, café, iogurte, esse tipo de coisas. E lá começa-se o dia com bacon e ovos mexidos. Óbvio que é uma questão cultural e de hábitos que se vão criando, conforme a educação que levamos.

Curiosamente, aquilo que para nós é normalíssimo num pequeno-almoço ou lanche, para eles é a bebida de eleição muitas vezes às refeições: o leite. Em Portugal, se alguém fizer isso, e beber leite ao mesmo tempo que come um hambúrguer com batatas fritas, é olhado de lado e visto como esquisito. Admitamos que, para nós, um copo de leite não cai bem com uma refeição! Ainda hei-de experimentar, para ver se combina bem. E em relação ao café? Lá bebem grandes canecas de café, enquanto aqui nos ficamos pelo cafezinho.

Uma das coisas a que se dá bastante ênfase na TV e, principalmente, naquelas séries que se focam mais na família, são os subúrbios. A mim parecem-me sempre bem as ruas deste género, mesmo à "Desperate Housewives".



São sempre sítios bonitinhos, onde todas as casas têm um alpendre pipi, muitas vezes com um baloiço e/ou um cadeirão, com relva e flores e uma rua onde as crianças brincam e andam de bicicleta. Não sei se a realidade que se vive lá é mesmo esta, mas que é bonito, é.

E que dizer das soccer moms? Pelo que percebo são aquelas mães que, em Portugal, são as mães a tempo inteiro. Nos EUA, são as mães que não trabalham e se dedicam, exclusivamente, à casa e aos filhos, levam-nos às actividades extracurriculares, organizam playdates (que também é uma prática corrente lá, juntar regularmente os filhos para brincar). 

Em relação ao desporto, em Portugal só se vê futebol à frente. Apesar de existirem outros, o futebol é O desporto, pouca importância se dá ao resto. Nos EUA, acho que é o futebol americano, a par com o basketball. E depois vê-se também muito hóquei no gelo e baseball. O futebol (soccer), a meu ver, é bastante menos popular por lá.

Na política, enquanto em Portugal se vive Esquerda vs. Direita, lá vive-se Democratas vs. Republicanos.

Cá, a maioridade para poder beber álcool atinge-se aos 18 (penso eu... com tantas alterações nas leis, já nem tenho a certeza). E nos EUA é aos 21.

Por outro lado, enquanto cá se tira a carta aos 18 anos, por lá já o podem fazer com 16.

E as festividades lá? Apesar de, cada vez mais, tentarem incutir o Halloween nas tradições portuguesas, nunca será como nos EUA, onde esta celebração está profundamente enraizada, onde enfeitam as casas como nós fazemos no Natal e onde estão preparados com doces em todas as casas para receber as crianças mascaradas que andam pelas ruas. Têm também o Dia de Acção de Graças, o 4 de Julho...

Cá também não se dá a importância que lá dão ao final do secundário (apesar de se fazer baile de finalistas), onde fazem uma grande celebração com todos os alunos.

Enfim, certamente, existirão muito mais coisas que diferenciam a nossa cultura da deles, mas são estas as que mais se destacam aos meus olhos.

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2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...