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terça-feira, 19 de abril de 2016

Pós-aborto

Hoje fui, finalmente, fazer a ecografia para ver se ficou tudo limpo, se não havia anomalias e se estava tudo bem aqui nos interiores. E está. Mas foi um aperto no coração ir fazer uma ecografia e ver apenas vazio... será que esta sensação algum dia vai desaparecer?

quarta-feira, 16 de março de 2016

Recaídas...


Estive quase 5 meses sem fumar, sem sentir a falta, sem me fazer diferença alguma. Quando perdi o meu bebé, voltei a pegar num cigarro. Precisei. Senti a falta. Não queria saber. Agora, quase dois meses depois, ainda não consegui voltar a deixar. Vou fazê-lo! Mas ainda não. Retomei a minha vida, voltei com toda a energia ao exercício físico, comecei a explorar opções para uma alimentação mais saudável e tenho sido relativamente bem sucedida nesse campo. Quando a minha baixa médica acabou, senti que me fez bem, contrariamente ao que esperava, voltar a ver pessoas, a conviver, a sair de casa. Senti-me com força. Hoje soube que nasceu a filha de um casal meu conhecido. Vi-o anunciado no facebook das pessoas em questão, com uma fotografia da criança. E tive uma crise de choro. Sinto-me sem forças. Como se tivessem voltado a arrancar-me um pedaço de mim. Como se tivesse voltado a perder o chão. Pensei que já tinha ultrapassado isto. Pensei que já era capaz de seguir em frente. Afinal, parece que não. Ainda dói...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

I'm back... Stronger than ever!


Pensei que não estava preparada para ver ninguém. Pensei que tudo o que queria era ficar na minha conchinha. E, sim, gosto muito de estar no meu canto. Sim, não quero que se aproximem muito. E, não, não quero que me encham de perguntas. Mas voltei ontem ao trabalho. E hoje fui fazer uma aula à academia. Volto para lá definitivamente de hoje a uma semana. Já sinto falta dos meus livros, séries, filmes... e do meu ninho. Mas sou capaz de enfrentar o mundo novamente!

Queridas pessoas, não se esqueçam de fazer like no facebook do Bitaites, ali do lado direito! :)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

I'm really trying


"Pelo menos, foi no início"
"Vais ter muitas outras oportunidades"
"Se aconteceu, foi por uma razão"
"Pelo menos, consegues engravidar"
"Pelo menos, ainda não era mesmo um bebé"

E outras, como:
"Já tens um, devias ficar feliz por isso"
"Já passou um mês, tens que ultrapassar isso!"
"Isso antes dos 3 meses nem chega a ser um bebé"
"Porque estás assim? Até parece que perdeste alguma coisa"
"Não morreu ninguém"
"A vida continua"
"Ficares fechada em casa não vai mudar nada"

NÃO!
Perdi um bebé, o meu filho, que foi planeado e desejado. E é isto que sinto. O que importa se já tenho um? Quer dizer que, por isso, não faz mal ter perdido outro? Então para quem tem dois ou mais filhos, se um morrer atropelado, não faz mal absolutamente nenhum, porque já têm outro com que se contentar?! Se o vosso marido morrer, who cares, porque podem arranjar outro? Se um filho vosso morrer com 3 meses, não faz mal, porque foi no início da vida? Se não têm nada de bom para dizer, fiquem só caladinhos! É uma sensação de vazio terrível. As pessoas parecem pensar que, como não chegou cá fora, nós não os consideramos como uma criança. Que a alegria desde o momento em que obtivemos o positivo no teste pode ser transferida para a próxima gravidez! 

NÃO!
Temos que fazer o luto, temos que chorar, temos que dar tempo para que se ultrapasse a morte de um filho, porque é disso que se trata. Não interessa nada se é um embrião, o tamanho que tem, quanto tempo esteve na barriga. Não interessa que possamos ter mais. Não interessa se já temos algum. Aquele nenhum substitui. No fim, o que fica é um colo vazio. É saber que carregaste uma vida no ventre e que desapareceu, sem aviso, sem te poderes despedir, sem poderes fazer nada. E dói... se dói!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Baby steps

O carro está arranjado (graças aos meus pais, o que seria de mim sem eles?!).
O namorido arranjou trabalho, ao fim de 6 meses desempregado.
Hoje caiu mais um dentinho ao meu filho.
E foi o primeiro dia que consegui passar sem dores. Nem uma.

Sou daquelas pessoas que prefere ver o copo meio cheio. Apesar de tudo...
Um passo de cada vez.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Aproveitar as horas boas

Hoje, desde que acordei, tenho tido aquilo a que chamo "as horas boas". Aqueles momentos em que a dor desaparece, em que o meu útero sossega. Esta recuperação tem sido pior do que esperava. Nos primeiros dias, tive cólicas permanentes e depois passaram a ser esporádicas, mas dolorosas. Tenho-me entupido de analgésicos. Ontem passei o dia todo deitada no sofá, a adormecer e a acordar, entre dores. Hoje ainda não tive nada. É um alívio tão grande que nem sei como vos explicar. E aproveitei para organizar papéis, lavar a loiça, estender a roupa, pôr roupa a lavar, aspirar o chão, abrir as janelas para a casa arejar... e, acreditem, apesar de tudo, soube bem poder fazer estas coisas. Poder mexer-me sem me contorcer de dores, poder fazer mais do que ficar estendida no sofá à espera que a dor passe. Aproveitar as horas boas.

Novo emprego, novas aprendizagens

2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...