quinta-feira, 26 de novembro de 2020

O desenvolvimento da Alice


Antes de completar os dois anos, a Alice foi encaminhada para a consulta de desenvolvimento, principalmente porque não dizia uma única palavra. Lá e após mil perguntas, o que a médica me disse foi que, não sendo taxativo, os sinais apontavam para perturbação do espectro do autismo.

O que se seguiu foi pesquisar sobre sinais que eu nem sabia que podiam alertar para isso até ir àquela consulta, falar com mães de meninos no espectro, entender o porquê de alguns comportamentos da minha filha e esperar pelo contacto da equipa de Intervenção Precoce.

Neste momento, ela está a fazer terapia ocupacional dois dias por semana, um com a terapeuta da IP e outra num centro de desenvolvimento aqui da zona. Ambas me dizem o que eu também achava, que ela não tem nada severo e que pode ser "apenas" um atraso no desenvolvimento.

Efectivamente, noto alguma evolução nela, por conta do trabalho que tem feito com as terapeutas e comigo, que vou seguindo as indicações delas. Não estou a trabalhar e se, por um lado, isso me traz dissabores, porque preciso de um ordenado ao fim do mês, por outro, pelo menos, permite-me acompanhar a minha filha. Infelizmente, não tenho folga financeira para poder abdicar da procura de emprego para me dedicar totalmente a ela, mas faço o que posso.

Entendi que ela precisa de rotinas mais restritas do que as outras crianças e que fugir dessas mesmas rotinas altera automaticamente o comportamento dela. Ao contrário do meu filho mais velho, que ia comigo para todo o lado a qualquer hora, adaptando-se relativamente bem a alterações na vida dele, ela precisa é que nós nos adaptemos totalmente a ela para uma vivência harmoniosa. Da mesma forma, não a deixo tantas vezes com os meus pais (como fazia com o Leo) e zero vezes com os meus sogros (com estes últimos, nem ela quer ficar) por todo o trabalho e dedicação que ela requer.

Tudo com ela é puxado a ferros e muito trabalhado e o que antes pensava ser só preguiça, agora entendo que pode ser um pouco mais do que isso e que tem mesmo que ser assim. O que vem naturalmente para as outras crianças, com ela tem que ser ensinado. E trabalhando a relutância dela.

Aceitei com serenidade que a minha filha não tem a mesma facilidade em certas coisas do que os outros meninos e que o desenvolvimento dela não é igual ao das outras crianças. Cada pequena conquista sua é uma grande vitória para nós, que festejamos com entusiasmo. E está tudo bem. 

6 comentários:

  1. ums amigos têm um filho que não disse uma palavra até aos dois anos. foram ao médico, também com esses receios, e o medico disse que ele era só preguiçoso. agora com três anos, vai começado a dizer qualquer coisa, mas ainda muito pouco. mas parece um miúdo normal, para além disso.
    o teu caso pode ser um pouco diferente, mas ainda assim pode não ser nada de grave e, com paciência, vai lá. coragem, que tudo há-de ficar bem :)

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    1. Sei que nem todos os miúdos desenvolvem ao mesmo ritmo, mas não é só a fala e também não fui eu que procurei ajuda porque era isso mesmo que tinha em mente, que devia ser preguiça. Foram os médicos que nos foram encaminhando. E ela tem de facto um atraso no desenvolvimento global. Mas, sim, pode não ser grave, que não parece que seja. Um passo de cada vez ;)

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  2. Olha, tenho uma prima que aos dois anos também não falava nada. Foram a ver e era algo nos ouvidos.
    Sei de várias histórias assim.
    Espero que tudo se resolva com a pequena. Não estou a dizer que é isto ou aquilo, mas que corra tudo pelo melhor.

    Beijocas

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  3. Cada criança tem ritmos diferentes, Muita força e coragem! Vai tudo correr bem!

    Beijos e abraços.
    Sandra C.
    Bluestrass

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  4. Não somos todos iguais e cada criança acaba por ter o seu ritmo.

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  5. Muita, muita força, porque Amor não falta!

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