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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Oficialmente louca

Tenho estado ausente nos últimos dias, apesar de estar por casa e com mais tempo livre, por um motivo simples. Sinto a cabeça a latejar com tudo o que se está a passar. E parece que me faltam as palavras. Eu já passava o meu tempo em casa, um bocado presa, trabalhando como ama. Mas agora... mudou tudo. Este fantasma do corona assombra as nossas vidas. Há 3 semanas consecutivas que não saio de casa. A única pessoa que sai é o meu marido quando é necessário. E, até agora, para trabalhar. Foi despedido entretanto, como todos os temporários da empresa. Como tantos outros neste momento pelo país fora. As redes sociais estão cheias até à boca de publicações, notícias, opiniões sobre este assunto. 

De um lado, pessoas que opinam que nos queixamos de barriga cheia por ter que estar em casa numa era com tanto acesso à Internet, com serviços de streaming, com imensos canais, concertos e visitas guiadas online, com entrega de compras em casa e com a possibilidade de, basicamente, podermos fazer toda a nossa vida virtualmente. Por oposição, há as que já não aguentam a falta de liberdade, dos passeios de fim-de-semana, a impossibilidade de abraçar família e amigos. Pessoas que se queixam da pressão do teletrabalho e no reverso da moeda, aquelas que perderam os seus empregos, sem saber o que será daqui para a frente a nível financeiro. Pessoas que dizem estar a dar em doidas 24/7 com os filhos e outras a dizerem que davam tudo para estar com os seus ou ainda que "se não queriam aturá-los, não os fizessem".

Sempre que o meu marido precisa sair, sinto-me paranóica quando ele entra em casa, troca roupa, tira sapatos, lava mãos, desinfecta. E as notícias... usa máscara, não usa máscara, usa luvas, não usa luvas. Quando ele traz compras, é uma sangria desatada a desinfectar as coisas, a tirar das embalagens, é o pão que nunca fica no saco onde é comprado, é o desinfectar a mesa onde se pousou os sacos, é lavar as mãos sempre que se mexe em dinheiro.

É ter que fazer compras grandes de uma só vez para não ter que sair frequentemente ou fazer online com um mês de antecedência para que as coisas cheguem na altura necessária. É pensar a toda a hora se estamos a fazer tudo bem e se não deixámos passar nada, com a cabeça a mil.

Nem consigo expressar uma opinião concreta sobre o estado de emergência, as medidas tomadas, as atitudes das pessoas, o uso devido ou indevido dos equipamentos de protecção, o mundo como ele está... sinto o meu cérebro a dar nó atrás de nó, num emaranhado de pensamentos sufocantes e que não me deixam respirar... como se tivesse um milhão de vozes a gritar dentro da minha cabeça que me impedem de pensar claramente.

Sou a única?

terça-feira, 17 de março de 2020

A quarentena trouxe-me de volta


Nos últimos tempos, tive que arregaçar as mangas para não deixar as nossas finanças afundarem de vez e voltei a tomar conta de crianças. Com horários diferentes, mais a lida da casa e os meus filhos, simplesmente deixei de ter tempo livre. O blog foi a primeira coisa a ficar para trás. Agora, os meus meninos estão em isolamento social voluntário com os pais e eu de quarentena também com os meus apenas. Pelo menos, até ao final do mês, será assim. Depois disso, não sei. Estamos todos na incógnita do que se vai passar daqui para a frente.

Em relação à crise que estamos a viver, confesso que, não sendo eu uma pessoa muito alarmista, não faço parte do grupo que varreu as prateleiras dos supermercados, mas calma... que também não me insiro naqueles que vão para as praias, bares e afins. Fiz as minhas compras na passada 6ª feira, um pouco maiores do que o costume para aguentar estes dias, mas nada de muito exagerado. Nem trouxe papel higiénico, vejam bem, que parece ser agora o bem mais essencial na vida dos portugueses! No entanto, a verdade é que tive que correr no supermercado, porque era impossível fazer as compras normalmente e com calma, porque via tudo a desaparecer a uma velocidade vertiginosa, tal era a ânsia das pessoas. Eu e o meu marido tivemos que nos dividir para conseguir chegar a tudo o que precisávamos e um de nós esteve sempre agarrado ao carrinho. Infelizmente, já tem havido pessoas a tirar coisas dos carrinhos alheios desde que começou esta corrida aos supermercados. Uma vergonha.

Que dizer? Após meses a tratar de crianças de manhã à noite, todas pequeninas, com diferentes horários, almoços, sestas, jantares, toda uma azáfama e não parar um segundo... agora só com os meus, isto parece peanuts. Estou ligeiramente preocupada com a questão da escola, não se sabe o impacto que isto vai ter, havendo no ar a possibilidade de não haver aulas no 3º período. Também com o orçamento familiar porque nós, não trabalhando, não recebemos. Mas, no fundo, o que quero é que tenhamos todos saúde e confesso que fico mais descansada se estivermos todos em casa. Neste momento, só o meu marido é que sai, porque é obrigado para ir trabalhar. Chega a casa e toca a despir, roupa para lavar, banho directo, andamos sempre a desinfectar e a lavar as mãos. 

Neste momento em que julgo que todos nós devemos estar a sentir-nos um bocadinho paranóicos, deixo-vos com esta foto maravilhosa dos meus pequeninos e votos de que todos por aí estejam bem e assim continuem. Por favor, fiquem em casa (dentro das possibilidades de cada um, claro...) e cuidem-se. #vamostodosficarbem

Novo emprego, novas aprendizagens

2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...