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terça-feira, 23 de abril de 2019

Coisas que me comicham...

Ler/ouvir que certas coisas são peças indispensáveis no roupeiro/mala/vida em geral de qualquer mulher (ex: vestidos, peça de determinada cor, sapatos de salto alto, batom). Acho que perpetua um bocado a ideia de que somos todas iguais, gostamos do mesmo tipo de coisas e todas temos que seguir as modas e as tendências. Porque mulher que é mulher gosta de malas e sapatos. Mulher que é mulher gosta de maquilhagem. Mulher que é mulher adora ir às compras. Mulher que é mulher não dispensa um vestido no guarda-roupa. Mulher que é mulher pinta as unhas e vai ao cabeleireiro.

O que não falta neste mundo são mulheres que nunca calçaram um salto alto na vida, que não usam malas, que não se maquilham, não usam as unhas pintadas e que não vestem vestidos; que não tentam conciliar o seu gosto pessoal com o que está na moda no momento, mas antes escolhem usar o que gostam sem se importar se já passou de moda há 3 anos.

Pessoalmente, acho que o que é, realmente, indispensável na vida de qualquer mulher é usar o que querem e fazer o que gostam, sem pensar se é adequado ao que os outros acham. Não vejo mal algum que se goste de todas essas coisas, mas é errado assumir que somos todas feitas do mesmo molde.

Já agora, aproveito para dizer o seguinte: não limitem a escolha da vossa da roupa para eventos como casamentos/baptizados/whatever só porque vos dizem que não se pode usar branco/preto/vermelho/ou-o-raio-que-o-parta, ou porque acham que um determinado calçado não fica bem com o que vocês querem vestir, ou porque dizem que o vestido que vocês escolheram é demasiado curto, com um decote pouco apropriado, com um formato inadequado, porque tem bolinhas... enfim, a escolha é vossa. Sempre!

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Qual seria a tua escolha?


Toda a vida sonhaste em ter filhos. Ser mãe/pai; ensinar o teu filho a respeitar a diferença, mostrar-lhe as pequenas coisas boas da vida, cantar-lhe uma música de embalar para ele adormecer. Toda a vida pensaste como seria um filho teu, se seria teria os teus olhos, o teu tom de pele, se iria ter o teu mau feitio ou partilhar o teu gosto pela música. Desde cedo quiseste segurar o teu bebé nos braços, jogar à bola com ele, amparar-lhe as quedas e ajudá-lo a enfrentar o mundo.

Um dia, surge na tua vida alguém especial. A pessoa que tu decides que queres na tua vida, aquela que toca em todos os teus botões e que tu sabes que só pode ser ela a partilhar a vida contigo, porque não faz sentido que seja mais ninguém. Uma pessoa que te ajuda a ultrapassar medos, que te apoia nas tuas decisões, está ao teu lado sempre e incondicionalmente. A pessoa que tu tens a certeza que precisas ter na tua vida para partilhar todos os acontecimentos.

Vão viver juntos, a vossa relação vai de vento em popa, são felizes, pensam em casar. Até que surge a conversa dos filhos. E a pessoa diz-te que, simplesmente, não os quer ter. Que a vida que têm é perfeita e que se imagina num futuro duradouro contigo ao seu lado, mas que filhos não fazem parte desse cenário. E que não há forma de mudar de ideias. O que fazes? Como se toma uma decisão destas? Estarias disposto a abdicar do teu sonho, do teu desejo mais profundo pelo amor e pela vida perfeita a dois? Ou deixas ir a pessoa que te completa como ninguém porque não te pode dar aquilo que desejas mais?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

"I don't own my child's body"

Estive a ler este artigo da CNN aqui sobre (não) obrigar as crianças a beijar ou abraçar contra a sua vontade. É uma coisa que muitos pais fazem quando os filhos se recusam a cumprimentar com beijos/abraços um parente ou amigo e frequentemente os pressionam porque é "falta de educação" não o fazer. Pessoalmente, como alguém que não gosta muito de contacto físico e que não cumprimenta quase ninguém com beijos, não concordo com o facto de quererem obrigar os miúdos a isso. Porque não é preciso beijar ninguém para demonstrar boa-educação e não é a única forma válida de cumprimento.

Este artigo diz que a razão pela qual não se deve pressionar as crianças a ter estas demonstrações de afecto forçadas é para que elas nunca sintam que é correcto deixar que lhes toquem sem a sua permissão e contra a sua vontade. E ainda que pareça aos pais uma coisa inocente, não podemos esquecer que tudo o que acontece ao longo do desenvolvimento de uma criança tem impacto nela. Que, ao forçar as crianças a dar "afecto contra a sua vontade", estamos a ensiná-las que o seu corpo não lhes pertence realmente e que devem pôr de lado a sua vontade para satisfazer outras pessoas. Aparentemente, isto pode conduzir a abusos sexuais, pois deixa a criança mais vulnerável a aceitar contacto físico indesejado, ou a que uma adolescente aceite estar com um rapaz "apenas para que goste dela".

Por esta altura, penso que a maior parte das pessoas já tem consciência que os abusos sexuais são, maioritariamente, feitos por pessoas conhecidas (familiares, professores, amigos dos pais, treinadores, etc.). Por outro lado, é-nos difícil imaginar que pessoas que conhecemos, com quem lidamos de perto, de quem gostamos e de quem temos uma boa imagem, possam ter uma atitude tão monstruosa. E, infelizmente, nem todos os pais acreditam nos filhos quando eles têm a coragem de lhes contar que algo de errado se passa e preferem confiar em quem eles acusam.

Estou certa de que os pais não quereriam que a sua filha adolescente cedesse à pressão de ter sexo com o namorado só para o agradar, sem ter a certeza de que era isso que ela queria. E estes pais poderão dizer, relativamente a dar beijos à avó por obrigação, que é diferente. Não é. Para a criança, passa a mensagem de que não faz mal fazer isso por obrigação, que não faz mal deixar que lhe toquem contra a vontade dela. E não é isso que queremos para os nossos filhos.

Não se incomodem com o que os outros pensam, sejam apenas conhecidos ou familiares. A vossa opinião e a forma como escolhem educar os vossos filhos é a única que importa. Que o vosso filho não queira dar um beijinho ao tio, à avó ou à prima não significa que seja mal-educado. Ele diz "por favor" e "obrigada"? Ele sabe o quão importante é partilhar? Ele diz olá quando se encontra com alguém? Ele arruma o quarto e faz o que lhe ensinou ser o correcto no dia-a-dia? Então, é bem-educado. E se os vossos conhecidos pensam o contrário, paciência.

Além de tudo isto, pensem no seguinte (que também é referido neste artigo): para além do facto de estarem a ensinar as vossas crianças a protegerem-se futuramente, se ela abraçar ou mimar alguém de livre e espontânea vontade, tanto vocês como essa pessoa saberão que é carinho e amor verdadeiro, que ela escolheu demonstrar.

Novo emprego, novas aprendizagens

2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...