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sábado, 5 de outubro de 2019

Pela boca morre o peixe

Soube hoje que uma conhecida minha está grávida de 4 meses. Vai ter uma menina. Está radiante e a achar piada a todo o processo. Foi planeada e desejada. Toda ela é planos para a bebé e comentários sobre as ecografias e os movimentos da pequena. Se isto é tudo normal? É. Se fiquei chocada quando soube que ela estava grávida? Completamente!

A minha melhor amiga é aquela pessoa que fica para tia, sabem? Que não tenciona ter filhos, mas que adora os dos outros, tem paciência para eles, brinca, faz parvoíces, dá-lhes doces, roupinhas e brinquedos. Que é capaz de ficar com os filhos dos amigos quando eles precisam de uma babysitter.

Mas esta pessoa que vai ter um bebé? Não é dessas. É uma mulher que sempre afirmou categoricamente que não queria ter filhos, que os miúdos eram muito giros, mas era lá longe, no colinho dos pais. Não gostava particularmente de crianças, nem nunca teve paciência para elas. Daquelas que revirava os olhos quando via crianças a correr no espaço onde ela estava. Que ficava com cara de cu quando havia um bebé a chorar por perto.

Esta mulher, que sempre jurou a pés juntos, ai-deus-me-livre-jamais!, que nunca seria mãe... aos 40 anos, mudou de ideias. Não foi um acidente. Foi planeada mesmo. Prova provada que nunca devemos dizer "desta água não beberei"...

terça-feira, 23 de abril de 2019

Coisas que me comicham...

Ler/ouvir que certas coisas são peças indispensáveis no roupeiro/mala/vida em geral de qualquer mulher (ex: vestidos, peça de determinada cor, sapatos de salto alto, batom). Acho que perpetua um bocado a ideia de que somos todas iguais, gostamos do mesmo tipo de coisas e todas temos que seguir as modas e as tendências. Porque mulher que é mulher gosta de malas e sapatos. Mulher que é mulher gosta de maquilhagem. Mulher que é mulher adora ir às compras. Mulher que é mulher não dispensa um vestido no guarda-roupa. Mulher que é mulher pinta as unhas e vai ao cabeleireiro.

O que não falta neste mundo são mulheres que nunca calçaram um salto alto na vida, que não usam malas, que não se maquilham, não usam as unhas pintadas e que não vestem vestidos; que não tentam conciliar o seu gosto pessoal com o que está na moda no momento, mas antes escolhem usar o que gostam sem se importar se já passou de moda há 3 anos.

Pessoalmente, acho que o que é, realmente, indispensável na vida de qualquer mulher é usar o que querem e fazer o que gostam, sem pensar se é adequado ao que os outros acham. Não vejo mal algum que se goste de todas essas coisas, mas é errado assumir que somos todas feitas do mesmo molde.

Já agora, aproveito para dizer o seguinte: não limitem a escolha da vossa da roupa para eventos como casamentos/baptizados/whatever só porque vos dizem que não se pode usar branco/preto/vermelho/ou-o-raio-que-o-parta, ou porque acham que um determinado calçado não fica bem com o que vocês querem vestir, ou porque dizem que o vestido que vocês escolheram é demasiado curto, com um decote pouco apropriado, com um formato inadequado, porque tem bolinhas... enfim, a escolha é vossa. Sempre!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ser mulher

Parte da novela da TVI Valor da Vida passa-se no Líbano e, por isso, dá-nos oportunidade de ver o que todos nós sabemos: o significado de ser uma mulher muçulmana. Uma das famílias desta novela sempre viveu no Líbano, sendo agora uma mãe e duas filhas adultas. Uma delas apaixonou-se por um muçulmano e iludiu-se durante muito tempo, julgando que seria feliz ao casar-se com ele. Obviamente, não foi o que aconteceu. Assim que casaram, ela passou a ser propriedade do marido. Durante uns meses, ela ainda resiste, batendo o pé que quer sair de casa sozinha, viajar para ver a família, trabalhar em moda e ter uma carreira... Mas desiste de enfrentar o marido e a sogra quando lhe começam a bater, depois de a trancarem em casa.


O que me arrepia nesta história é que é o espelho do que se passa na realidade. A verdade é que lá, após o casamento, a mulher pode ser presa, agredida, violada... sem ter a que recorrer. E tudo isso é visto como normal, pois a mulher é um cidadão de segunda classe, que só existe para servir o homem.

A mulher adúltera pode ser facilmente morta pelo marido, com todo o direito, segundo as leis libanesas. O contrário já não acontece, pois se a esposa matar o marido infiel, é condenada a prisão perpétua ou morte por enforcamento.

Não podem viajar sozinhas, nem sem autorização do marido. Existe uma lei da proibição para isto mesmo, o que faz com que muitas mulheres nunca consigam sair destas relações, pois nem possibilidade de fugir do país têm.

Há toda uma série de coisas naquela sociedade que, mesmo eu sabendo que é assim, ainda me choca sempre que oiço falar no assunto. Não me cabe na cabeça como é que um país (vários, até!) pode ainda ser tão atrasado nesta altura do campeonato. Como é que pode considerar um ser humano tão inferior a outro? É muito revoltante... e tenho imensa pena das mulheres que têm que o ser nesses países!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Balneários


Já aqui falei, acho que mais do que uma vez, da nudez nos balneários. Seja no trabalho, no ginásio, na piscina... o que não falta são mulheres que se sentem à vontade com a nudez perto de desconhecidas e que andam na maior das descontracções com as miudezas todas ao fresco. Nunca perguntei a nenhuma sobre isso, obviamente, cada uma saberá o que a deixa ou não desconfortável e eu nada tenho a ver com isso, mas já ouvi mais do que uma dizer que não se importam, porque, afinal, são todas mulheres. Portanto, se forem homens já se sentem incomodadas. Aquilo que me intriga é: cada vez há mais lésbicas assumidas; são mulheres... mas apreciam as outras mulheres exactamente da mesma forma que um homem, sexualmente. Se o que incomoda é sentirem-se observadas dessa maneira, porque é que em frente a uma lésbica não há problema? Como assim? E se for em frente a um homem que seja gay e que vocês sabem que não se interessa minimamente pelas vossas curvas femininas, também não faz mal? Onde é que se desenha a linha desse limite?

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ameaça feminina


Imaginem uma mulher que baba para cima de tudo o que seja do sexo masculino, adora que se metam com ela e corresponde; não impõe limites, aceita palmadas no rabo, piscadelas de olho, piropos e brincadeiras a roçar o ordinário; aceita trocar números de telemóvel, mensagens e cafezinhos. Mulher essa que também não tem problemas em sair e passar uma noite com homens casados. Digam-me lá a verdade... ainda que nunca tivessem tido razão de queixa contra a dita, confiavam numa mulher assim perto dos vossos maridos/namorados? É que mesmo que o homem a rejeite, isso não a impediria de tentar molhar o bico. Eu sou da opinião de que quem está numa relação é que tem a obrigação de ser fiel à pessoa com quem está, não é a terceira parte envolvida. Contudo, mulheres que não se sentem minimamente desconfortáveis em dar umas cambalhotas com homens casados fazem-me alguma espécie.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Azares de gaja


Hoje começou aquela altura chata do mês para mim. O que corresponde a mais idas à casa-de-banho. E coincidiu com uma alteração que me fizeram no trabalho. Deixei de estar na montagem final e passei para a pintura, foi hoje o primeiro dia. O que significa conhecer todo um edifício novo, pessoas diferentes, farda nova, outras rotinas... porque aquilo é todo um mundo à parte, que até têm refeitório próprio, não se misturam com o resto da fábrica. Confesso que é um pouco estranho, porque sinto que estamos excluídos do resto do mundo ali dentro. De qualquer forma, é todo um processo de aprendizagem outra vez, não só do trabalho, como do local. Inclusivamente, saber onde são as casas-de-banho. E se hoje precisei delas!

Além disso, hoje foi-me atribuído um cacifo (finalmente!) no balneário feminino. Estou há quase um mês na fábrica e nunca se preocuparam com isso, foi sendo sempre adiado. Hoje, assim que entrei na nova área, entregaram-me logo a chave e levaram-me ao balneário para conhecer o espaço e descobrir o cacifo para o poder começar a usar. Peguei no que queria ter perto de mim e que cabia nos bolsos (pensando eu que tinha tudo) e deixei lá a mala. Algum tempo depois, já no posto de trabalho, comecei a sentir-me um bocadinho desconfortável e lembrei-me que tinha deixado os tampões dentro da mala. Avisei a pessoa que me estava a dar formação que precisava de ir ao balneário, mas ninguém se dignou a dizer-me que as portas estavam trancadas durante o horário de trabalho. Primeiro, perdi-me, tive que voltar para trás e perguntar o caminho (ficam já a saber que o meu sentido de orientação é o pior de SEMPRE). Depois, cheguei lá e bati com o nariz na porta. Não sabia o que fazer, nem onde me dirigir, pelo que contactei a portaria e mandaram um segurança para me ajudar. Com isto, demorei uma vida a despachar-me e cheguei à linha à hora de voltar para trás, para jantar. Este foi o primeiro stress que tive devido a essa coisa fantástica que é a menstruação. Mas não ficou por aí.

De manhã, fui às compras, mas esqueci-me dos tampões, pelo que pedi ao B. para mos comprar quando chegasse do trabalho (esta semana, estamos em turnos trocados), para ter à noite, quando tomasse banho depois do trabalho. Tomei o meu banho calmamente, para, no fim, descobrir que tampões, tá quieto. Esqueceu-se, com tanta coisa que temos para fazer e em que pensar. 1h da manhã e eu enrolada na toalha com um drama destes em mãos. Sim, porque é dramático! O que é que ia fazer? Felizmente, a minha irmã saiu comigo do trabalho à mesma hora, portanto, sabia que ela estava acordada e pedi-lhe encarecidamente para que me viesse trazer uns tampões para me desenrascar. E ela lá veio. Quem tem uma irmã, tem tudo, minha rica menina!

Mulher sofre.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Mulherengos e rameiras

Aconselho a lerem este artigo do Capazes. Sobre um assunto que já foi debatido e debatido, pisado e repisado, mas que ainda não deixou de ser actual e que, tão depressa, não deixará, infelizmente. É uma questão que me revolta, desde cedo. Aí está escrito tudo aquilo que penso e subscrevo na íntegra. Penso que já aqui falei deste assunto, pelo que não vou alongar-me neste post, queria apenas partilhar convosco.

"Mulher não bebe muito. Não se mostra muito. Não pina muito. E enquanto não destacarmos estes rótulos, ficaremos empedernidos no tempo, no vácuo a moral e dos costumes. Somos diferentes. Mas somos iguais nas escolhas. O meu corpo. O meu direito. O meu gosto. O meu prazer. O meu desejo. As minhas escolhas... e, sobre essas, que ninguém opine. Escolherei, sempre, ser uma meretriz oferecida e bêbada mas livre."

quinta-feira, 30 de junho de 2016

True Story!


Ahahah, everytime! Para ser sincera, revi-me nisto.

Diálogo recente cá em casa:

Eu: Queres ver o filme X?
Namorido: Pode ser.
Eu: Tenho aqui mais, se quiseres escolher outro.
Namorido: Não me importo de ver o X.
Eu: Não te importas... mas queres escolher outro?!
Namorido: Quais é que tens?
Eu: A, B, C, Y, Z...
Namorido: Se calhar, o Y, parece bom.
Eu: ...
Namorido: Também podemos ver o C.
Eu: Pois... talvez...
Namorido: Queres ver o A?
Eu: Nem por isso.
Namorido: Escolhe tu.
Eu: Então vamos ver o X.
Namorido: Que era o que querias ver desde o início, não era?!

Ahahahahah! Pobre coitado.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Taradices

Faz-me uma certa confusão as mulheres estarem, constantemente, a publicar no facebook, fotos de homens descascados e musculados com frases do género: "para animar a minha segunda-feira", "para começar bem o dia" ou "para levantar o ânimo". Fotos como estas.




Sei lá, não gosto de ver. Nunca comento, apesar disso. Elas lá sabem o que escolhem publicar. Mas que me parece mal, parece. No meu, ninguém põe nada disso. Também já devem saber que, caso o façam, desaparece no mesmo minuto.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A eterna desigualdade

As mulheres portuguesas são parvas é um artigo de Maria Filomena Mónica, uma historiadora e socióloga de 72 anos.

Fala nesse artigo de um tema que, infelizmente, ainda não deixou de ser actual, apesar de muita gente pensar que sim. Aborda o facto de as mulheres continuarem em desigualdade face aos homens, principalmente, nas lides domésticas e relacionadas com os filhos. Como pude constatar pelos comentários, há muita gente que se insurge ao ler isto e, inclusivé, insulta a senhora pela sua opinião. Será que algum dia iremos aprender a discordar sem partir para o insulto?

O título ofende muita gente, que não consegue ver para além dessas palavras. Muitos defendem que as coisas mudaram, que os homens "ajudam" em casa. Logo aqui, temos um erro muito grande, cometido pela maior parte das mulheres. O homem não deve AJUDAR, mas as tarefas devem ser, sim, DIVIDIDAS. Se ele "ajuda", pressupõe-se que é obrigação da mulher tratar de tudo e que é um favor louvável que os maridos fazem ao "ajudá-las". Não. Errado. Muito errado. Se um deles estiver em casa, é normal que o que está desempregado faça mais em casa, por uma questão de tempo. Agora, se ambos trabalham fora de casa, porque é que a mulher deve chegar a casa e ter que se preocupar com tudo sozinha para o marido ir sentar-se no sofá ou ir beber café com os amigos? 

Ok, hoje em dia, as mulheres, no geral, não são escravas como antigamente, têm direito de voto, podem divorciar-se, são mais competitivas e activas profissionalmente, muitas nem pretendem incluir a maternidade na vida familiar. SIM, as coisas mudaram. Mas penso que ainda há um longo caminho a percorrer e que este assunto nunca estará ultrapassado enquanto houver desigualdades, seja em que campo for.

Por vezes, a maioria dos casos onde as mulheres julgam que a divisão das tarefas é satisfatória, acontece o seguinte: a mulher faz o jantar, o marido lava a loiça e vai à vidinha dele. E muitas vezes não fica por aqui: a mulher ainda conta uma história aos filhos, controla os seus horários de dormir, lavar os dentes e tomar banho, arruma o que é necessário para o dia seguinte (trabalho e escola) e, se preciso for, ainda passa umas peças a ferro. E o marido, porque lavou uma loiça, pensa que já fez o que lhe competia. O problema (e penso que é aí que entra "as mulheres portuguesas são parvas") é que muitas se conformam com isto quando não o deviam fazer. Não deviam ter que pedir ajuda ao marido, ele devia fazê-lo por iniciativa própria, porque são obrigações de AMBOS e nunca só de um.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Depois da gravidez

Muitas mulheres há que antes de serem mães, ficam todas enojadinhas com algumas das conversas que as mães têm, como experiências de gravidez, parto, pós-parto, amamentação... O que eu até compreendo. Não estão por dentro do assunto, não querem estar, há coisas que são demasiada informação, enfim. Eu sei disso. Mas acho que estão completamente erradas quando dizem que as mulheres não sabem falar de mais nada depois de serem mães e que parece que deixam de ser a pessoa que eram. Minhas caras, quando tiverem filhos, vão perceber o seguinte: nós não deixamos de ser a pessoa que éramos. Simplesmente a nossa vida muda. Adicionamos uma componente nova, excitante, em constante mudança e que preenche muito da nossa vida. A pessoa que éramos mantém-se. Mas amadurecemos (regra geral, claro). Mudamos a nossa forma de ver determinadas coisas. Conhecemos um mundo novo. Passamos por experiências diferentes. 

Imaginem a seguinte situação: arranjam um namorado novo. Inevitavelmente, afastam-se um bocado do vosso grupo de amigos. Passam mais tempo com o namorado. Saem menos com as amigas. E dizem-vos que estão diferentes. Que estão mudadas. Que já não ligam ao grupo com quem estavam sempre antigamente. Que o namorado vos deu volta à cabeça. Que só o vêem a ele à frente. E vocês o que pensam? Que gostam exactamente da mesma forma das vossas amigas, que simplesmente têm uma componente nova na vossa vida, à qual querem dar atenção e que têm que integrar na vossa rotina. Certo? Toda a gente já passou por isso, ou não? Então... com a maternidade acontece a mesma coisa. Nós não perdemos a nossa essência. Mas acrescentamos algo mais a nós mesmas!

Novo emprego, novas aprendizagens

2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...