Há muito tempo que tenho este problema com a intimidade, o contacto físico, o toque, a proximidade. Especialmente, com pessoas que não me são próximas. Mesmo as que são, nem todas eu cumprimento regularmente com beijinhos. Contam-se pelos dedos de uma mão essas pessoas, que são os meus pais, o meu filho e o B. Geralmente, eu sou aquela pessoa que chega a algum lado e dá o olá geral, um bom dia, boa tarde ou boa noite que espero que interpretem como "sintam-se todos cumprimentados". Acho um exagero apresentarem-nos alguém e essa pessoa insistir em dar-nos dois beijos, quando acabámos de nos conhecer. Sempre me fez confusão que, no emprego, por exemplo, as pessoas cheguem e cumprimentem todos os colegas com dois beijinhos. Porquê? Vejo-os todos os dias. Depois, há pessoas que não se contentam com os beijinhos, querem adicionar abraços, festinhas no braço, toques indesejados. Não. Muito menos. Se querem um cumprimento além do apenas verbal, optem sempre pelo aperto de mão, que, mesmo assim, por vezes, é desagradável, quando a pessoa em questão tem a mão alagada em suor ou por nos questionarmos por onde andou aquela mão antes de tocar na nossa. Contudo, é um cumprimento mais impessoal e distante, para quem é incapaz de se contentar com um simples olá. Dois beijinhos é algo tão íntimo, que pede proximidade e confiança com a pessoa que está à nossa frente. Não consigo entender esta necessidade de contacto físico que existe nos portugueses. Acabem logo com isso, vá.
sábado, 11 de novembro de 2017
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
The Invasion
Sinopse: Não confie em ninguém. Não mostre emoção. Não adormeça. Nicole Kidman e Daniel Craig são os protagonistas de A Invasão, um thriller de acção que promete uma viagem de pesadelo a um mundo onde só sobrevive quem permanece acordado.
O misterioso despenhamento de uma nave espacial conduz à aterradora descoberta que há algo de extraterrestre por entre os destroços. Todos aqueles que entram em contacto com ela vão-se modificando de forma sinistra e inexplicável.
Pouco tempo é preciso para que a Dra Carol Bennell (Nicole Kidman) uma psiquiatra de Washington D.C., e o seu colega Ben Driscoll (Daniel Craig) se apercebam duma situação chocante: está-se perante uma epidemia extraterrestre galopante que ataca as suas vítimas enquanto estas dormem, deixando-as fisicamente na mesma, mas estranhamente insensíveis e desumanas.
À medida que a infecção alastra, há cada vez mais gente alterada e torna-se impossível saber em quem confiar. Agora, a única esperança de Carol é manter-se acordada enquanto procura o seu filho. O jovem pode ser a solução para acabar com esta devastadora invasão.
Opinião: Comecei a ver este filme um bocadinho de pé atrás, mas não me desiludi. Vi com o mais-que-tudo, que também gostou. Senti todos os nervos à flor da pele, à medida que história se desenrolava e a epidemia extraterrestre ia ficando cada vez mais descontrolada. Sofri cada segundinho com a Carol e gostei muito da interpretação da Nicole Kidman. O que significa que a história é boa. Ok, não é a mais original, afinal há imensos filmes com enredos deste género e, segundo sei, este até é um remake, mas achei que nos prende ao ecrã até ao desfecho e não são todos os filmes deste tipo capazes de o fazer. É assustador ver toda a gente a ser controlada pelos extraterrestres, a forma completamente desprovida de emoções como se movem e falam; a maneira silenciosa como se introduzem nos hospedeiros e os controlam, sem ninguém se aperceber de nada, porque, no fundo, confiam nos que lhes são próximos, sem desconfiar que algo está tão errado. É uma luta constante da Carol contra esta invasão, que vale a pena acompanhar
domingo, 5 de novembro de 2017
Decidir entre dois filhos
Tenho gostado muito de assistir à novela A Herdeira, nem que seja por me fazer reflectir sobre alguns aspectos da vida. Uma das famílias desta novela encontra-se num drama, que não imagino como será e que espero nunca vir a saber, mas que calculo ser uma coisa com a qual deve ser muito difícil lidar. Um casal com três filhos, um rapaz e duas raparigas. O rapaz sente-se invisível em casa, porque, na verdade, acaba por viver um pouco em auto-gestão, sendo esquecido, devido à doença grave de uma das irmãs, que tem lutado toda a vida contra ela. Essa filha vive frustrada, por estar sempre condicionada e não poder levar uma vida "normal", como os outros miúdos da sua idade. E a última, a mais nova, foi concebida por aconselhamento médico, para salvar a irmã mais velha. Fruto de uma concepção geneticamente controlada, tem levado toda a vida no hospital. Aos 13 anos, decide que não quer continuar a ser usada dessa forma e leva os pais a tribunal, pelo direito de poder decidir sobre o seu próprio corpo, após eles decidirem que ela tem que doar um rim à irmã. A miúda adora a irmã, mas não quer viver condicionada o resto da vida e está farta de sentir que só existe para salvá-la, sente-se uma "não-pessoa", alguém que não importa e que não tem outro fim que não esse. A irmã apoia-a e ao seu poder de escolha. O pai pende entre as duas, pois quer salvar uma, mas não quer fazer sofrer a outra. A mãe está irredutível e afirma que faz tudo o que for preciso para não deixar morrer a filha mais velha. No fundo, é uma guerra sem vencedores. Os pais tomaram uma decisão que eu sou perfeitamente capaz de compreender, que foi conceber um bebé para salvar um filho, mas esse bebé cresceu. Tem personalidade, vida própria, as suas ideias e vontades, não é um robô disposto a tudo, sem sentimentos. Como gerir este drama familiar? Como sujeitar constantemente um filho saudável a procedimentos cirúrgicos e a uma vida de hospital? Porém, ao mesmo tempo, como não fazer tudo para salvar um outro filho? Francamente, esta é daquelas situações em que afirmo que não sei o que faria. Não pode ser um cenário fácil...
sábado, 4 de novembro de 2017
Séries \\ Emerald City
Sinopse: Descrita como uma releitura moderna e obscura dos 14 livros que lidam com o universo do Mágico de Oz, a nova série segue um estilo parecido com Game of Thrones. As narrativas incluem guerreiros mortais, reinos em competição e um mágico que nunca vimos antes. Na trama, uma teimosa Dorothy Gale, de 20 anos é, contra a sua vontade, enviada para uma jornada que a coloca no centro de uma batalha épica e sangrenta pelo controle de Oz.
![]() |
| Bruxa Má do Leste |
![]() |
| Dorothy e a Bruxa Má do Oeste |
![]() |
| Dorothy e Sylvie |
![]() |
| Glinda e a Bruxa Má do Oeste |
![]() |
| Roan/Lucas e Glinda |
![]() |
| O Feiticeiro de Oz |
![]() |
| Tip/Princesa Ozma |
Opinião: Com muita pena minha, esta é uma série que não me cativou muito. Primeiro, os pontos fortes. Gostei muito da adaptação da história da Dorothy no mundo de Oz desta forma obscura, violenta, crua e com um dedinho de realismo e não apenas fantasia. Bom impacto visual, com efeitos e uma imagem apelativos. Faz-nos encarar este clássico de uma forma mais adulta, pois perde todo o encanto infantil do mundo fantasioso da história original. Gostei muito da personagem da Bruxa Má do Oeste, excelente interpretação. Infelizmente, porém, o argumento desta nova versão fica muito aquém das expectativas. É mal construído, mal desenvolvido e, apesar de ter boas bases, não foi bem trabalhado. Os pontos mais importantes e, supostamente, mais emocionantes, da história não são capazes de nos arrebatar e todo o desenvolvimento da trama é um pouco confuso e desconexo. Podem ver por vocês mesmos, se vos chamar a atenção. Mas as audiências de Emerald City não foram favoráveis, causando o cancelamento da série após a primeira temporada. Alguém por aí conhece a série?
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
A minha biblioteca \\ A Rapariga no Gelo
Sinopse: Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres.
A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima?
Opinião: Gostei de ler este livro, porque se lê bem, é uma escrita fluida, descomplicada. Não é um livro extremamente emocionante. A própria história pessoal da personagem principal é um autêntico cliché, não trazendo nada de novo a um livro deste género. Por isso, ainda bem que não foi muito explorada essa parte. A própria personagem, Erika, é algo repetitiva, na medida em que este género de personagem já está muito visto, a polícia que acaba por ter que lutar contra todos os outros agentes para defender as suas teorias, indo contra ordens superiores e, no fim, acabando por ter razão. Ainda assim, mesmo que possam ser previsíveis, eu gosto de thrillers. E este é um que se lê facilmente. Contudo, apesar de ter achado pouco original, não consegui prever o desfecho, fiquei surpreendida com a identidade do assassino, pelo que, no fim, acabei por não me desiludir. Pior seria se chegasse ao fim e desse de caras com um nome no qual tivesse pensado ao longo do livro, mas, de facto, não estava à espera de ler aquele nome quando foi revelado. Gostei também da abordagem à corrupção de valores da classe alta e das influências que o dinheiro e o poder podem ter. Nada de novo, no entanto. Para quem gosta do género, fica a saber que não é uma história que nos faça ficar com falta de ar, mas antes um thriller de fácil leitura.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
5 coisas que sou incapaz de fazer
1 - Ser lambe-botas.
Nos tempos de escola, comecei a aperceber-me da existência desta espécie. Começo por dizer que ser lambe-botas não faz de ninguém má pessoa, mas é uma característica que não me agrada. Andar sempre a cheirar o rabinho dos professores, na tentativa de os agradar, de forma a subir a nota e, pior, quando isso não passa com o amadurecer, e se estende até à idade adulta. Passar o tempo a dar música aos chefes, fazer-lhes "favorzinhos", ir pintar-lhes a casa ou fazer-lhes serviços por fora para cair nas suas boas graças é o tipo de atitude que me faz alguma confusão, porque sou da opinião que as recompensas devem ser dadas por mérito e nada mais. Definitivamente, ser lambeta não é a minha praia.
2 - Copiar os outros.
Invejar tudo o que os outros têm, fazem ou dizem é triste. Não acho anormal que tenhamos gostos parecidos com o de outras pessoas, é perfeitamente natural cobiçarmos uma blusa, uns ténis, uma pulseira que vemos em alguém e gostamos. O que não é normal é tentar ser quem não somos. Se te dói os dentes, a mim também dói; se gostas de uns ténis azuis, vou comprá-los já amanhã para mim; se usas uma aliança com o nome do teu filho, também quero uma; se pintas as unhas de amarelo, vou pintar também; se não gostas de praia, também não vou gostar; se o teu prato favorito é lasanha, o meu também é. Querer tudo o que os outros têm e tentarmos fazer-nos à imagem de alguém só revela falta de personalidade.
3 - Virar as costas a quem sempre me ajudou.
As pessoas têm tendência a pedir, pedir, pedir quando precisam e uma tendência ainda maior para se esquecer de quem esteve lá para elas. Muitas vezes, acontece essas mesmas pessoas precisarem de nós, porque todos temos os nossos momentos menos bons, e a ingratidão é uma coisa muito feia. Há que saber colocarmo-nos no lugar do outro, principalmente se esse outro nos ajudou quando mais precisámos.
4 - Ensinar asneiras ao meu filho.
Acho de uma falta de educação tremenda ouvir os putos (pequenos, I mean) a dizer asneiras a torto e a direito. São, claramente, ensinados. Acredito que o meu filho as diga, na escola, com os amigos. Não sou ingénua. Mas connosco não diz, nem à frente dos adultos, da família, em pleno café ou seja onde for. Cá por casa, inclusivamente, evitamos dizer palavrões à frente dele. Os miúdos aprendem maioritariamente por exemplo e fazem aquilo que vêem os adultos fazer. Muitas vezes, assisto mesmo aos pais a ensinarem aos filhos certas e determinadas coisas e penso que raio de parentalidade é essa, que valores está esta gente a passar ao ensinar às crianças que aquilo é bonito e muito giro?
5 - Não tomar banho.
Arrepia-me pensar que há pessoas que passam dias sem tomar banho. Eu, chegando ao fim do dia, não dispenso o meu banho. Adoro sentir-me cheirosa e limpinha. Deitar-me sabendo que deixei a sujidade toda do dia longe! Sabe tão bem, faz-me mesmo muita espécie como é que isto não incomoda a própria pessoa. O cabelo sujo, a pele oleosa, os cheiros que, inevitavelmente, vão surgir se não nos lavarmos. A sério, que nojo, minha gente, lavem-se!
E por aí? Alguma coisa em comum? Qual o top 5 de coisas que são incapazes de fazer?
domingo, 29 de outubro de 2017
O Meu Conto de Fadas #10
Quando comecei a namorar com o B., já só tinha olhos para ele. Demorei a assumir que o amava, mas sabia que estava apaixonada por ele, só queria passar o meu tempo livre com ele e sentia-me feliz por ter cedido à vontade de avançar sem medos. Coisa que demorou algum tempo, mas acabou por acontecer, quando eu desisti de lutar contra os meus sentimentos e aceitei que queria estar com ele e que o que tínhamos não chegava.
Após começarmos, oficialmente, a namorar, a nossa relação não mudou muito, continuámos a sair juntos, com amigos, na noite, cafés durante o dia, muitas conversas e SMS, foi passando tempo com o meu filho, trouxe-o cá a casa. Essa parte de conhecer os meus pais foi um bocadinho complicada de gerir, porque eu estive um ano com o meu ex-namorado e os meus pais conheciam-no. E, de um dia para o outro, deixei de estar com um para estar com outro. Claro que eu tinha os meus motivos, não estava feliz, já não tínhamos nenhum significado um para o outro e achei que devia estar com quem me fazia bem. Mas aos olhos dos meus pais, era só estar a trocar um logo por outro. Por isso, sei que não viram isso com bons olhos.
De qualquer forma, estava segura do que tínhamos, portanto, apresentei-o aos meus pais. Calculo que tudo aquilo, a minha atitude, o apresentá-lo à minha família, o andar sempre colada a ele, lhe tivessem dado segurança sobre o que eu sentia por ele. Acredito que ele sabia que eu gostava dele a sério e, provavelmente, por isso, sentiu-se confortável para dizer que me amava. Sim, o primeiro "amo-te" foi dele. Mas aquilo não foi tão romântico como podia ter sido, porque eu não retribuí. Estava ao colo dele, estávamos abraçados, tudo muito bonito e tal... e ele olha-me nos olhos e diz "amo-te". Paralisei nesse momento. Comecei logo a panicar. E, em vez de lhe responder, beijei-o. E continuei a agir como se nada fosse.
Aquela reacção magoou-o, eu sei. Arrependeu-se de o ter dito, ficou a pensar que eu não sentia o mesmo. Mas eu sou damaged goods, a intimidade e proximidade assustam-me, deixam-me desconfortável, por coisas que aconteceram no meu passado. Eu tinha aceitado que queria estar numa relação com o B., mas antes disso, como já vos contei, só queria estar sozinha, solteira, sem nada sério, razão pela qual o meu ex não se conseguiu aproximar mais de mim emocionalmente. Porque eu não deixava. E aquele "amo-te" representava uma intimidade profunda, um compromisso sério. E a forma como eu iria escolher lidar com aquilo ia decidir o futuro da nossa relação.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Novo emprego, novas aprendizagens
2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...
-
Este ano vamos ter um Natal diferente. Infelizmente, não poderemos comprar prendas a ninguém. Estamos numa situação delicada neste momento ...
-
Todos nós temos uma certa admiração, seja porque motivo for, por algum artista ou personalidade. Eu tenho vários, o que julgo ser normal na...
-
2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...


















