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terça-feira, 15 de outubro de 2019

13 reasons why - a história do Tyler

Esta publicação tem SPOILERS sobre a 2ª temporada.

No final da 2ª temporada, a personagem Tyler Down, o fotógrafo da escola, protagoniza uma cena brutal, chocante e perturbadora. Sendo um deslocado em relação aos colegas, toda a sua existência no liceu de Liberty é uma sequência de tentativas por parte de Tyler para conseguir a aprovação dos seus pares. Acaba por se revoltar e vandalizar o campo de futebol, causando o cancelamento da época desportiva. Depois disto, ausenta-se para reabilitação e quando volta, um grupo de atletas decide vingar-se.

A cena começa com um Tyler muito tranquilo a enfrentar a fanfarronice de Monty, um atleta absolutamente execrável, na casa-de-banho. No entanto, este está acompanhado por dois colegas e Tyler está sozinho. Sem testemunhas, Monty agride o fotógrafo, esmagando a sua cabeça contra o vidro e o lavatório. Ainda com Tyler atordoado pelas pancadas violentas, os três rapazes levam-no para um compartimento e enfiam-lhe a cabeça na sanita.

Porém, o chocante desta cena é o que vem depois. Enquanto os dois atletas forçam Tyler a ficar quieto, vê-se Monty a pegar numa esfregona, a baixar-lhe as calças e a usar o cabo para o violar. Vemos claramente a dor lancinante espelhada na expressão de Tyler e, quando terminam, Monty e os amigos vão embora, deixando-o no chão a sangrar.


Caramba, foi das cenas mais perturbadoras a que assisti nesta série e que me deixou francamente maldisposta. Cada segundo daquela cena me causou aflição e me fez querer que só acabasse depressa! Pensei em todos os miúdos que passam por merdas destas na vida real e que nunca conseguem resolver esses traumas. Ou que tentam sobreviver a eles como o Tyler quis fazer: com um tiroteio na escola. Tal era a raiva, a revolta, a dor.

E fez-me igualmente aflição quando, na terceira temporada, ele, finalmente, conta ao Clay o que se passou naquele dia. A forma como ele descreve... vendo-se, claramente, que está a reviver tudo e que a dor ainda está bem presente, apesar de todos os esforços dele e dos amigos para que tudo melhorasse à volta deles.

Acho que o núcleo central de actores desta série tem que ser parabenizado pela forma genuína como interpretam as personagens e pela realidade que imprimem às emoções dos seus personagens. Só posso imaginar que não seja fácil representar assim.

A série tem sido atacada desde o início por ser muito explícita e gráfica. E a cena do Tyler foi comentada precisamente por se achar que era desnecessária. Tal como a cena explícita do suicídio da Hannah, da sua violação e a da Jessica. Eu, francamente, não acho que isso seja uma coisa má. Porque as pessoas escolhem pensar que isso não é assim tão frequente, tão real. Que não existe, porque não vemos. Temos que ver! Temos que saber que é uma realidade!

Não é uma série para todos e talvez também não seja o mais aconselhável para quem se revê no que se passa nela. Mas não temos como controlar as reacções dos outros perante o que vêem. E isso aplica-se a todos os conteúdos que são produzidos e não apenas a este. Para quem sofre grandes traumas, qualquer coisa, por mais pequena que pareça aos olhos dos outros, pode funcionar como gatilho.

Acho que 13 reasons why deve antes ser vista como um grande alerta vermelho para todos os cuidadores. Pais, professores, conselheiros. Adultos desta vida, tenham atenção aos sinais. Não se esqueçam, no meio de viverem a vossa vida corrida, de reparar nos comportamentos dos vossos filhos. Na primeira temporada, o que mais me afligiu foi perceber nos flashbacks em que a Hannah aparece, que aquele desfecho podia ter sido evitado facilmente se pequenos pormenores tivessem sido diferentes nas atitudes das pessoas que a rodeavam.

É uma série que aconselho VIVAMENTE a quem ainda não viu. Das melhores a que já assisti até hoje.

O regresso de 13 reasons why

A série 13 reasons why voltou este ano com a terceira temporada. E apesar de achar que é daquelas séries que tinha terminado bem apenas com a primeira, sem necessidade de mais, as duas seguintes, apesar de terem fugido à história principal, continuaram a abordar temas actuais, importantes, pesados e que não devem ser esquecidos, porque existem e são bem reais. 

Uma das personagens dá pelo nome de Bryce Walker, um rapaz que faz parte da equipa de atletas da escola, popular, mulherengo, fanfarrão... e que objectifica e viola raparigas sem remorsos. E que foi o principal causador do suicídio de Hannah Baker, a personagem central da primeira temporada.

Nas temporadas um e dois, ensinaram-nos a odiá-lo por tudo o que ele era, tudo o que representava e pelas atitudes de merda que tinha. Como não odiar um violador que se orgulha do que faz e que não tem sentimentos de culpa em relação a isso? Que tira fotografias a raparigas em situações comprometedoras, as faz sentir sujas e culpadas e se vai gabar disso aos amigos?

Agora, lançam-nos uma nova luz sobre esta personagem. Ainda que o Bryce tenha sido denunciado e julgado pelos seus actos, foi dado como inocente em tribunal. Contudo, isso não o livrou da fama e de se tornar persona non grata na cidade. Na terceira temporada, mostram-nos um pouco mais da sua realidade familiar, como a relação tóxica com o pai. Introduzem uma personagem nova, que se torna confidente e amiga de Bryce e que parece trazer ao de cima um lado seu que nunca tínhamos visto.

Aqui, Bryce Walker mostra-se arrependido, pede desculpas, deixa de pôr as culpas nas raparigas que maltratou e admite que agiu mal. Fica a saber de um grande segredo (acerca de um acontecimento marcante da segunda temporada) que envolve várias pessoas da escola e mantém-se calado. Sabe que um dos colegas (filho de um polícia) consome esteróides e guarda também o seu segredo. Ajuda outro colega financeiramente sem pedir nada em troca.

No fundo, tenta, dentro do possível, remediar o mal que fez no passado. Vemos uma cena enternecedora entre ele e a mãe, quando lhe oferece ajuda para pintar um quarto e acabam os dois a rir e a brincar com a tinta. Vemos um Bryce a defender a mãe com unhas e dentes perante a atitude cruel do avô. E assistimos a um Bryce carinhoso com a rapariga nova.

Ainda vou a meio da temporada e não sei o que se vai passar até ao último episódio, mas garanto que nos suscita sentimentos contraditórios. É difícil não ver ali um ser humano a tentar ser uma pessoa melhor, a tentar mudar... uma pessoa que também tem sentimentos e problemas por resolver e que, afinal, também sabe tratar bem as mulheres. Que também se apaixona.

Porém, ao mesmo tempo, é quase impossível esquecer a frieza com que ele as descartava no passado e o sentimento de posse quando as violava, desprezando por completo a vontade delas. Como esquecer que ele as tratava como lixo? Como esquecer a dor que consumiu a Hannah de tal maneira que sentiu necessidade de tirar a própria vida?

Enquanto mulher, sinto-me enojada por haver homens assim. Que nos tiram todo o poder sobre o nosso próprio corpo e nos lixam de várias formas possíveis e seguem a sua vidinha como se nada fosse. E para dizer a verdade, é irritante que esta temporada consiga de forma tão marcante mostrar um violador verdadeiramente arrependido. Quase que nos faz ter pena dele. Confesso que me enerva.

Mas é bom. É bom que uma série consiga mexer assim com os nossos sentimentos. Faz-nos pôr algumas coisas em perspectiva. Todas as personagens têm a sua própria realidade e versão dos acontecimentos. E 13 reasons why consegue fazer-nos sentir empatia com todos eles em algum momento. Mesmo que tenham feito muita merda.

domingo, 17 de junho de 2018

Séries \\ 13 reasons why


Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay por Hannah, sua amiga e paixão platónica secreta de escola. O jovem surpreende-se ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias cassetes, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper a própria vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Bryce Walker

Quando Hannah é gozada na escola

Clay e Hannah no baile

O encontro de Hannah e Justin

O suicídio de Hannah

Quando Jessica vai a tribunal testemunhar

Opinião: Nos últimos dias, acabei de ver a segunda temporada desta série. E que posso dizer? Deu muito que falar quando apareceu e acho que tem motivos para tal. Muita gente se insurgiu com a abordagem tão crua e explícita de temas como o suicídio e a violação. Talvez porque as pessoas, no geral, preferem ignorar que estas coisas existem, porque não querem pensar nelas. A série aborda, sobretudo, o bullying, sob as suas várias formas e esta segunda temporada mostra também a realidade do acesso fácil às armas nos EUA. A cena do suicídio de Hannah é bem chocante e deixa-nos frustrados ao longo de toda a temporada, porque em cada episódio vemos que cada uma das pessoas que contribuiu para aquele desfecho podia ter agido de forma diferente, de maneira a evitar que acabasse assim. É uma série pesada, que eu recomendo vivamente a pais, educadores e cuidadores. É urgente estarmos atentos ao que se passa com os nossos filhos e não desvalorizar o que eles sentem, como os pais têm tendência a fazer. Às vezes, acaba mal. A forma como as raparigas são tratadas nesta série é vergonhosa, mas não é apenas isso. É a pressão de pares que se faz sentir ao longo de toda a série, a lei do mais forte, o silêncio da cumplicidade nos actos mais vis contra outros seres humanos, a frieza e maldade com que se lida com o próximo e a crueldade que reina entre adolescentes. Há muito a dizer sobre esta série, mas este comentário já vai longo, pelo que só posso recomendar-vos que a vejam, pois é das melhores séries que vi nos últimos tempos.

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