Irritam-me as pessoas que escrevem em caps lock.
PENSARÃO ELAS QUE POR ESCREVER ASSIM LHES VAMOS PRESTAR MAIS ATENÇÃO, CONCORDAR COM ELAS EM TUDO?
Não. É só irritante, agressivo e estúpido. Podem parar, sim?
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
sábado, 28 de maio de 2011
Dor
Acordei, sobressaltada por mais um sonho amargurado. Abro os olhos e espero que se habituem à escuridão.
Levanto-me da cama e observo, prescrutantemente, cada traço, cada canto do quarto.
O livro que lemos juntos. A tua fotografia à minha cabeceira. A almofada que tem, até hoje, o teu cheiro. A pulseira que me ofereceste. Uma peça de roupa tua esquecida. A cama... a cama enorme e vazia, ainda moldada pelo teu corpo.
Fecho os olhos e deixo as lágrimas correrem livremente, permitindo, uma vez mais, que a dor me invada. Aquela angústia que me consome.
Dirijo-me à varanda, tentando fundir-me com a noite, libertando-me. De repente, uma luz intensa que surge e me cega e, no entanto, que me acalma. Deixo que a luz me encha daquela paz, apagando todos os meus problemas, as minhas angústias e todas as noites em que adormeci sobre a almofada humedecida das minhas lágrimas. Até que começa a desaparecer através da porta do quarto. Sigo-lhe o rasto, até ela desaparecer por completo, porta fora em direcção ao céu, ultrapassando a minha varanda, extinguindo-se lá no alto.
Contemplo a noite e vejo-me estendida na estrada. Morta. Onde finalmente encontrei solução para tudo...
domingo, 14 de novembro de 2010
Perda
"Suor... Banhada em suor. A almofada estava ensopada e a camisa de noite colada ao corpo. Destapou-se e arrastou-se para fora da cama, tentando acalmar o coração que palpitava freneticamente no seu peito. Chovia torrencialmente lá fora e tudo parecia calmo dentro de casa, mas algo a perturbava. Dirigiu-se em passadas largas ao quarto do bebé, para verificar que tudo estava como devia estar. Abriu a porta e deslizou até ao berço do seu menino. Sossegado. Demasiado sossegado. Adormecido. Inclinou-se, colocando-lhe a mão sobre a barriga, tentando apanhar os movimentos de uma respiração regular. Nada. O seu coração saltou enquanto pegava no bebé, para tentar detectar o calor da respiração. Nada! Não... Não podia ser. O seu bebé, o seu menino! Repetiu os mesmos movimentos, tentando, em vão, captar a respiração que lhe provaria que ele estava vivo. Quando percebeu que nada iria acontecer e que ele iria permanecer adormecido nos seus braços, apertou-o contra si, embrulhado no cobertor que lhe comprara, deixando as lágrimas correr livremente e deixando-se cair, agora sentada no chão a embalá-lo, balançando-se para trás e para a frente e entoando a canção de embalar que lhe cantava desde o dia que soubera que estava grávida.
Quando o dia começava a romper, levantou-se, pousando o bebé no berço e aconchegando-lhe o cobertor ao corpinho frio, prometendo-lhe que iria protegê-lo e estar sempre com ele, sem deixar de cantar. Dirigiu-se à casa-de-banho e abriu uma gaveta, enquanto trauteava baixinho. Retirou uma lâmina e sentou-se sobre o tapete que cobria o chão de mosaico. Passeando a lâmina ao longo do braço, ergueu-a e começou a desenhar a primeira letra do nome que escolhera para o seu bebé. A música que lhe brotava dos lábios pálidos ecoava nas paredes nuas, enquanto a lâmina deslizava sobre a sua pele, penetrando a carne para gravar nela o nome do que de mais precioso tinha e acabava de lhe ser roubado. A camisa de noite começava a ficar manchada, mas ela sabia que era necessário. Uma vez terminado ali, com um floreado, fez descer a lâmina sobre a perna para continuar o que começara. Mais sangue a correr e o seu filho cada vez mais gravado em si, parte de si e cada corte deixando-a mais perto dele. Cantou e cantou até perder as forças para continuar. Estava tão cansada... O seu menino. Precisava dela. O último corte... E as suas pálpebras fecharam. Enquanto cantava para o seu tesouro... e sorria, sabendo que estariam juntos, em breve."
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
O quê, onde, quando?
Confusão.
Onde estão?
Não vejo vivalma.
Onde foram?
Passos? Não.
Silêncio.
Porquê?
Escuridão.
Perscruto a atmosfera.
Nada.
Onde estão?
Luz? Não.
Ninguém.
Medo.
Lá em baixo.
Ajoelho-me.
É transparente.
Onde estão?
Grito.
Prosseguem.
Desespero
Observo-os.
Onde estão?
Morgue.
Perdi-me?
Chamo.
Em vão.
Tenho medo.
Compreensão.
Corpos.
Tantos corpos.
E eles?
Parecem assustados.
Vejo-me.
Pálida.
Fria.
Resignação.
Choram.
Deitada, sem vida.
Não pertenço àquele mundo.
Já não.
Já não sou eu.
Começam a desvanecer-se.
Aceitação.
Acabou.
Já não os vejo.
Já não me vejo.
Onde estão?
Sorrio.
Está na hora.
Onde estão?
Não vejo vivalma.
Onde foram?
Passos? Não.
Silêncio.
Porquê?
Escuridão.
Perscruto a atmosfera.
Nada.
Onde estão?
Luz? Não.
Ninguém.
Medo.
Lá em baixo.
Ajoelho-me.
É transparente.
Onde estão?
Grito.
Prosseguem.
Desespero
Observo-os.
Onde estão?
Morgue.
Perdi-me?
Chamo.
Em vão.
Tenho medo.
Compreensão.
Corpos.
Tantos corpos.
E eles?
Parecem assustados.
Vejo-me.
Pálida.
Fria.
Resignação.
Choram.
Deitada, sem vida.
Não pertenço àquele mundo.
Já não.
Já não sou eu.
Começam a desvanecer-se.
Aceitação.
Acabou.
Já não os vejo.
Já não me vejo.
Onde estão?
Sorrio.
Está na hora.
Guardian angel
I spoke to you and you didn't answer
I kissed you and you didn't feel it
I cried and you didn't see it
I leaned towards you
I wanted to feel you in my arms
But it was like I wasn't even there
You dodged my kisses
You refused my caress
And I didn't understand why
You always acted as if I,
Your forever love, was absent
But I wanted to tell you
"Look at me, I'm right here"
I spoke to you and you ignored me
I said I loved you and you didn't listen
I saw you so very sad
A gray cloud hung over you
And I couldn't help you!
I sat next to you and you cried
Like I've never seen you cry before
Your pain was so deep!
My kiss on your forehead made you shiver
I helped you getting comfortable underneath the blanket
And you continued your anguish
I begged you to explain
The reason to your sadness
I thought I had done something wrong
But how could I be sure?
When you finally fell asleep
Without saying a word
I started to feel what tormented you
I was ravaged with so much pain
I realized you were dreaming about me
And while I was rising above you on my way over to the sky
I saw my body next to you
I kissed you and you didn't feel it
I cried and you didn't see it
I leaned towards you
I wanted to feel you in my arms
But it was like I wasn't even there
You dodged my kisses
You refused my caress
And I didn't understand why
You always acted as if I,
Your forever love, was absent
But I wanted to tell you
"Look at me, I'm right here"
I spoke to you and you ignored me
I said I loved you and you didn't listen
I saw you so very sad
A gray cloud hung over you
And I couldn't help you!
I sat next to you and you cried
Like I've never seen you cry before
Your pain was so deep!
My kiss on your forehead made you shiver
I helped you getting comfortable underneath the blanket
And you continued your anguish
I begged you to explain
The reason to your sadness
I thought I had done something wrong
But how could I be sure?
When you finally fell asleep
Without saying a word
I started to feel what tormented you
I was ravaged with so much pain
I realized you were dreaming about me
And while I was rising above you on my way over to the sky
I saw my body next to you
Careless death
You ignored me
You didn't talk to me
Nor hug me
Nor kiss me
I realized that you couldn't see me
Nor hear me
Nor feel me
My kiss was cold
My caress the chill of death
I was nothing more than a wandering soul
I couldn't be strong anymore
I was stuck to this world by a thread
The thread was you, my love
But I finally rest in peace
You are my love as you always will be
I'll always try to ease your pain
And my soul splitted in a million pieces
And scattered
I was dead
You didn't talk to me
Nor hug me
Nor kiss me
I realized that you couldn't see me
Nor hear me
Nor feel me
My kiss was cold
My caress the chill of death
I was nothing more than a wandering soul
I couldn't be strong anymore
I was stuck to this world by a thread
The thread was you, my love
But I finally rest in peace
You are my love as you always will be
I'll always try to ease your pain
And my soul splitted in a million pieces
And scattered
I was dead
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