Deve haver pouca coisa mais difícil do que superar a perda de um ente querido. Sempre foi um dos meus maiores medos: perder quem me é mais próximo. Contemplar sem vida uma pessoa que sempre vimos a sorrir e com nada mais do que uma boa-disposição contagiante. É muito doloroso ver alguém partir das nossas vidas demasiado cedo (não é sempre demasiado cedo?), acredito que nunca estejamos preparados para lidar com tamanha dor. Escrevo-vos neste momento deitada na cama, porque tenho um nó que se estende do estômago à garganta que não me tem permitido dormir muito bem nos últimos dias. Tenho a meu lado o meu filho a dormir um sono inquieto e que custou a pegar, porque as lágrimas o venceram quando a noite chegou. Disse-me que gostava quando o tio brincava com ele e que desejava que ele não tivesse ficado doente. Ou que os médicos o tivessem conseguido salvar. E quando oiço estas coisas do meu filho a soluçar de tristeza, a barragem rebenta. A minha família está incompleta. E eu estou cansada. A morte é uma cabra que nos arranca um pedacinho de nós quando nos leva assim alguém.
quinta-feira, 29 de março de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
As pessoas...
Ontem, no velório do meu tio, tive mais uma confirmação do quanto as pessoas são idiotas e como conseguem ser extremamente inconvenientes. Por mais do que uma vez, quando eu e a minha irmã estávamos à porta da capela, pessoas aproximavam-se para ver a fotografia e o nome da pessoa que tinha falecido. Até aqui, tudo bem. Com tanta gente que às vezes conhecemos, seria compreensível que alguém o pudesse conhecer e não soubesse o que tinha acontecido. A maioria das pessoas que se aproximava, via quem era e seguia caminho. Contudo, outras não se limitavam a fazer apenas isso, mas antes preferiam ficar ali a fazer perguntas, como o que tinha acontecido, se estava doente, porque era novo e blá blá blá. Eu não dei trela a ninguém, nem me adiantei em conversas; francamente, quem são estas pessoas para querer saber pormenores de uma morte que não lhes interessa? Não pensam que a família e os amigos estão ali para fazer o luto e não para responder à merda das vossas perguntas? Gente, por favor. Menos. Mas muito menos, porque essa curiosidade mórbida, um dia, vai fazer com que alguém vos dê um queque bem assente nos queixos.
Até sempre...
Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida. O meu tio, um dos mais próximos, morreu. No domingo de manhã, foi internado, já inconsciente, devido a um AVC hemorrágico. Entrou em coma profundo. Já sabíamos que não ia acordar. Têm sido dias complicados. Hoje veio a notícia pela qual já esperávamos. Mas que não custou menos por isso; passei o velório inteiro com um nó na garganta, chorei e chorei sem saber onde ainda guardava tantas lágrimas. Até hoje, o meu filho não sabia de nada. Quando o meu tio partiu, fui contar-lhe. Chorou imenso e disse-me que queria muito vê-lo uma última vez e pediu se podia ir deixar-lhe uma flor da sua cor favorita. Senhores, como isto me partiu o coração. Sofrer por uma perda destas e ver o meu filho sofrer tanto com ela também. Custou-me, mas acedi. Deixei-o ir à capela, ainda antes de começar a chegar toda a gente, quando ainda só estávamos nós, os meus pais e a minha irmã. Despediu-se e o B. levou-o embora a chorar ao colo dele.
Estive no velório das 17h à 00h, recebi muitos abraços, beijinhos e condolências. Passei o tempo angustiada, mas senti que precisava de estar ali e fazer o luto. Tinha 54 anos, era irmão da minha mãe e o melhor amigo do meu pai, o companheiro dele de todos os dias. Sempre em festa, sempre com um sorriso na cara. Adorava e passava o tempo a cantar Mamonas Assassinas. Hoje, juntou-se a eles. Tio, estarás sempre no meu coração. Até sempre.
terça-feira, 27 de março de 2018
O Meu Conto de Fadas #13
As nossas alianças
Em Março de 2012, comprámos as nossas alianças de namoro. Confesso que foi um bocadinho precoce, namorávamos há dois meses e toda a gente nos disse que era cedo para assumir esse compromisso. Mas nós ignorámos porque tínhamos a certeza do que estávamos a fazer e que queríamos ficar juntos e hoje, 6 anos depois, cá estamos nós, de pedra e cal, a um mês de colocar uma nova aliança no dedo.
domingo, 25 de março de 2018
Publicidade nas novelas
De há uns tempos para cá, parece que as novelas portuguesas decidiram apostar na publicidade a certas marcas. Sim, porque dantes não se via nada disso e, inclusivé, faziam questão de contornar essa questão, não mencionando marcas nenhumas. Agora, é em todas as novelas (pelo menos da TVI). E, na maioria das vezes, os produtos que estão a publicitar são inseridos nas conversas casualmente, dentro do contexto do que está a ser falado (como os produtos para o cabelo). Ou aparece alguém em background a analisar o dito produto com a marca virada para a câmara, de forma nada subtil. Eu sei que todos nós, no dia a dia, fazemos referências a marcas nas nossas conversas, sobre produtos ou serviços que utilizamos, que aconselhamos a amigos ou colegas. Mas... é só de mim ou aquilo nas novelas parece absolutamente deslocado e nada natural?
sexta-feira, 23 de março de 2018
Collateral Beauty
Sinopse: Howard (Will Smith), um homem que perdeu a filha de seis anos, vive bloqueado numa espiral de luto, que ameaça a empresa que fundou com o seu sócio e amigo Whit (Edward Norton). Este, juntamente com os seus dois colegas Claire e Simon (Kate Winslet e Michael Peña), decide então fazer algo para afastar o amigo da empresa, alegando insanidade deste. Primeiro, contratam uma investigadora particular para seguir os seus passos; ao violar a correspondência de Howard, os colegas descobrem que ele anda a escrever a três entidades: a Morte, o Amor e o Tempo, sobre a morte da filha. Contratam um trio de actores (interpretdos por Helen Mirren, Keira Knightley e Jacob Latimore) para desempenhar estes papéis e abordar Howard para lhe responder às cartas, fazendo com que Howard sinta que só ele os consegue ver.
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| A obsessão de Howard pelo dominó, em memória da filha |
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| Howard e o Amor |
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| Howard e Madeline |
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| Howard e a Morte |
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| Howard e o Tempo |
Opinião: Bom, apesar de já ter saído há algum tempo e de o querer ver desde essa altura, só agora surgiu oportunidade. E foi um filme que gerou opiniões muito acesas, discordantes e que foi massacrado pela crítica. Eu ia com expectativas altas e, apesar de não ser um filme perfeito, não posso dizer que me desiludiu. O elenco é bastante bom e acho que a produção falhou ali um pouco em explorá-lo, nisso concordo com a opinião geral. Tive sentimentos contraditórios em relação a este filme ao longo de todo ele e só consegui reflectir depois de este acabar. Não esperava o final, a revelação sobre Madeline, a mulher que dirige o grupo de apoio, passou-me mesmo ao lado. Para olhos mais perspicazes, talvez não tenha passado. Também tem sido grande ponto de discórdia a veracidade da existência do Amor, do Tempo e da Morte ou se eram, de facto, apenas actores contratados. A minha leitura, depois de ver o filme do princípio ao fim, foi que não eram apenas actores. Uma coisa que tenho visto ser muito criticada é o facto de haver histórias secundárias além da depressão de Howard para superar a morte da filha. E com isso não concordo. Achei brilhante que cada um dos amigos de Howard tenha ficado encarregue de orientar a "entidade" que mais podia ajudar cada um deles com os seus problemas pessoais (relacionados com o amor, o tempo e a morte, respectivamente). Acho que é um filme que mexe muito com as nossas emoções e, definitivamente, eu recomendo!
quinta-feira, 22 de março de 2018
Recordações da gravidez
Não fiquei fã desta fase, não gostei muito de estar grávida, nem das mudanças que isso impõe ao corpo da mulher. Mesmo não tendo tido uma gravidez muito turbulenta. Contudo, ainda que não tenha apreciado muito esses meses e estivesse ansiosa para que o meu pequeno saísse cá para fora, onde podia, finalmente, abraçá-lo... gosto muito de ser mãe. Ao contrário de muitas mulheres, não sinto saudades da barriga de grávida, mas confesso que a maternidade é mesmo a melhor coisa do mundo. Assim, deixo algumas das fotografias dessa altura, há 10 anos. E, sim, fiz um barrigão que mais pareciam dois!
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