terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Enough


Já devo ter visto este filme umas mil vezes, volta e meia passa na televisão. É um filme que tem a Jennifer Lopez como protagonista, portanto seria de pensar que o filme não vale um chavo. Mas impressionou-me like hell da primeira vez que o vi. Já o conheço de trás para a frente e continua a impressionar-me de todas as vezes que o vejo, mesmo conhecendo as cenas e sabendo, de antemão, qual vai ser o desfecho. Conta a história da Slim, uma mulher que entra num casamento que começa a descambar anos depois, quando já existe uma criança. Começa o filme como uma mulher cheia de medos, assustada, indefesa e acaba como uma mulher forte, lutadora, vencedora. Faz de tudo para se proteger e, sobretudo, à filha. Toca-me, pela capacidade que um homem tem de fazer tanto mal à mulher com quem casou, a quem prometeu amar e proteger, pela frieza com que ignora o facto de haver uma criança (que é dele também) envolvida, pela coragem da personagem até ao fim, pela racionalidade que ela mantém ao recorrer a todos os meios possíveis. Acho que uma das cenas mais impressionante, para mim, é aquela em que o amigo polícia (corrupto) do marido enceta uma perseguição à Slim com a filha desta dentro do carro, em que a miúda passa o tempo a chorar e a gritar "Mommy!". É aflitivo. Sempre o achei e agora mais ainda porque sou mãe. É uma lição poderosa para todas as mulheres que sofrem maus tratos, mostra que nunca devem desistir, nem sujeitar-se. Não faço parte daquele grupo de pessoas que julga essas mulhers por continuarem numa situação dessas. Ninguém tem o direito de o fazer, de dizer "ah, isso comigo não era assim!", de afirmar que, se elas ficam, é porque gostam e que não deve custar-lhes assim tanto. Nunca é assim tão linear. Quem está de fora, não conhece o medo, a sensação de impotência, o pânico de sofrer represálias. Neste filme, o marido em causa era rico, poderoso, com muitos recursos e dinheiro capaz de pagar a meio mundo para encontrá-la, bons advogados e amigos na polícia. Ele tinha a vantagem sobre ela, uma empregada de mesa sem metade dos recursos dele. Acredito que, num caso destes, ainda seja mais desmotivante e assustador para a mulher. Mas a lição a retirar daqui é nunca desistir, não baixar os braços, não deixar de lutar. Fazer o necessário para se manter a salvo e, principalmente, se houver uma criança para proteger. É um filme que recomendo vivamente.

6 comentários:

  1. Já vi, mas uma vez chega-me. Este tipos de filmes fazem-me mal. Devo ter vivido dessas tretas noutra vida, porque felizmente nesta não foi.

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  2. Ana Ricardo, eu não consigo tirar os olhos da tv smp q isto passa. Nc pensei q um filme da J.Lo pudesse agarrar-me tanto :P ainda bem para ti q nunca passaste por nada do género!

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  3. qualquer uma de nós está sujeita a levar a primeira.A segunda só permite quem quer. Mas também há situações que são muito difíceis de ultrapassar. Filhos,dependência financeira,medo...são o "inimigo" de muitas mulheres nessas situação.

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  4. Isso de só permite quem quer não é bem assim, acredita. Mas no caso desta personagem, o maior problema era a filha. Tb havia o factor dependência financeira, pq ela deixou de trabalhar qd casou com ele. Mas o maior problema era msm a criança. Ele tinha poder e dinheiro para lhe tirar a filha dela. E isso, tu deves saber enqt mãe, é uma ideia aterradora.

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  5. Já o vi e acho que dá um excelente exemplo =)

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