sexta-feira, 16 de junho de 2017

Colegas de trabalho

Na fábrica onde trabalho, os temporários não podem ficar por mais de um ano. Têm que sair e ficar um mínimo de quatro meses fora da empresa, para depois poder voltar. Não é o meu caso, porque o pequeno sítio onde estou é chamado de outsourcing (recebemos menos, mas temos direito a férias e a ficar por termo incerto). Esta semana, um colega meu completou um ano e, por isso, teve que sair. Na 4ª feira, veio um rapazinho substitui-lo. Devo dizer que ali existe um pouco de má gestão e organização. Nunca recrutam a pessoa nova enquanto a outra ainda lá está, para integrar e dar formação a quem vai substitui-lo. Contratam o substituto e largam-no aos leões. Depois passa-se um de dois cenários: ou essa nova pessoa apanha colegas disponíveis e pacientes para o ensinar e ajudar ou tem o azar de ficar com pessoas que não estão interessadas em ensinar ninguém, o que dificulta muito a integração. Eu já tive que ser ensinada lá várias vezes, pois não estive sempre no mesmo sítio e sempre tive sorte, porque apanhei colegas simpáticos, que me ajudaram sempre. E onde estou agora, não é que não goste dos colegas que tenho, mas sei que não são fáceis de lidar quando se entra de novo. Nenhum deles se disponibilizou para ensinar o rapaz. É um miúdo de dezanove anos, que, provavelmente, nunca trabalhou e é assim caladinho. Precisa de orientação, obviamente. Eu e as minhas duas colegas estamos numa parte do armazém em que só o podemos ajudar até certo ponto, porque a grande maioria do trabalho que ele deve fazer é da responsabilidade de quem conduz as máquinas e esses, simplesmente, não estão nem aí para o miúdo. Devido ao facto de as coisas serem feitas muitas vezes em cima do joelho e precipitadamente em muitos aspectos, os funcionários ficam aborrecidos com a forma como as coisas são conduzidas. E um dos pontos que os está a lixar é terem mandado o rapaz que lá estava embora, porque ele era desenrascado, despachado, fazia tudo, já conhecia o trabalho e havia uma esperançazinha pequenina que lhe fizessem um contrato pela empresa, o que não aconteceu. Vai daí, está tudo emburrado e, apesar de o rapaz não ter culpa nenhuma disto, ignoram-no. Não têm paciência, nem vontade de o ensinar. Fazem o trabalho deles e o moço anda lá, meio perdido, atrás deles, muito provavelmente, a sentir-se um inútil, porque nem lhe dão trabalho, nem lhe explicam como se faz. Acreditem que até me dá alguma pena, porque certamente essas pessoas não gostariam que fizessem o mesmo aos filhos deles, quando estes começarem a trabalhar. É nisso que penso quando olho para estes miúdos: um dia pode ser o meu.

2 comentários:

  1. É uma pena que algumas empresas ainda funcionem assim, e claro a gestão é mal feita pois quem entra não consegue ter um acompanhamento e gera situações dessas!

    Bjxxx
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  2. Odeio, assim com muita força, esse tipo de atitudes, quer por parte dos patrões que passam a vida a trocar os funcionários, quer pelos colegas que acham que protegem o lugar deles se não ensinarem nada.
    Normalíssimo o rapaz se sentir mal e talvez nem fale muito mesmo por causa disso =/

    Beijocas

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