segunda-feira, 8 de abril de 2013

A morte

"Estás morto. Estás morto desde o dia em que nasceste". Esta é uma citação de um filme, numa cena em que um amigo tenta convencer o outro a relaxar, convencendo-o que, se aceitar que a morte é algo certo e inevitável, irá ficar mais tranquilo quanto a isso. Este é um assunto que me assusta, mas que, principalmente, me deixa nauseada. A ideia de partir, deixar de estar viva, é algo que me perturba sobremaneira. Não acredito em vida depois da morte, nem em espíritos. Sei que, depois de morta, acaba-se, já não serei capaz de pensar nisso. Mas entristece-me saber que já cá não vou estar. Será que, com uma certa idade (assumindo que lá chego!), já irei encarar o assunto de forma diferente? Serei capaz de pensar e aceitar que vivi, que tive o meu tempo com as pessoas que amo e que está na hora?

Sim, a minha morte é algo que me inquieta. Mas o que, verdadeiramente, me deixa nauseada de receio, é o simples pensamento de vir a perder pessoas que amo. Isso é o que me assusta realmente. Nunca perdi ninguém verdadeiramente próximo. Uma prima de quem gostava, mas com quem tinha muito pouco contacto e que raramente via (quando tinha 15 anos), o meu avô paterno, de quem sempre me lembro doente, de quem nunca fui próxima e que poucas vezes via (com 8 anos) e o pai do meu padrinho, que tomava conta de mim quando era pequena e a cujo funeral fui, já mais velha. Estas mortes custaram, toda a tristeza que se instalou, o ambiente pesado que fica quando alguém parte; mas não eram pessoas assim tão próximas. 

A ideia de perder os meus pais, a minha irmã, o meu filho, o meu namorado, a minha melhor amiga... isso, sim, provoca-me náuseas, literalmente. É uma sensação de pânico, uma realidade que gostava de nunca conhecer e é coisa para me tirar o sono. Se acreditasse em Deus, rezava por eles. Como não acredito, só posso esperar que nada lhes aconteça e que permaneçam sempre comigo.

5 comentários:

  1. Compreendo-te perfeitamente. Também tinha esse medo, digo tinha, porque infelizmente já partiram pessoas (neste caso o meu sobrinho) que me deixaram sem chão. Mudei para todo o sempre.

    Mas olha infelizmente são coisas que temos de conviver, e lutar sempre pela nossa felicidade.

    Um beijinho*

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  2. Karina, até me arrepiei a ler isso. Um beijinho grande!*

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  3. Já perdi os meus avós e o meu pai, pelo que hoje, quiçá fruto da idade e da experiência, aceito bem q.b. a minha morte. Mas lido mal, muito mal, com a doença, sobretudo com o sofrimento.

    Tal como tu, não acredito em vida depois da morte nem em espíritos - morre-se e acaba-se.

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  4. Eu acredito na vida depois da morte, não tenho medo da minha morte, mas tenho muito medo de perder quem amo, já perdi o meu pai com 13 anos e até hoje choro essa perda.
    Não podemos pensar nisso, temos que aproveitar os momentos e a vida, aqui e agora, porque amanha não sabemos o que o destino nos reserva, mas quero acreditar que são só coisas boas.
    Rua com esses pensamentos!
    Beijinhos

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  5. GATA, pois... espero conseguir encarar também com naturalidade.

    rosinha, tento não pensar nisso, mas por vezes não consigo evitar. É um dos meus maiores medos. Beijinho

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