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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Mais um...


Um ano depois da perda inesperada do meu tio, a minha família voltou a ficar mais pobre com a morte (já esperada, mas não menos dolorosa) do meu avô materno. Nunca tive, como já referi aqui, uma ligação aos meus avós como oiço pessoas da minha geração descrever. Ainda assim, era o meu avô. Que no último ano, deixou a casa dele para andar entre a da minha mãe e a da minha tia e, por último, no lar, onde o encontrávamos cada vez mais acabado e alheado sempre que o íamos visitar. Nem imagino o que a minha mãe estará a sentir, perder o pai tão pouco tempo (para mim, ainda é pouco tempo, mas talvez seja sempre?...) depois de ficar sem o irmão. 

Ultimamente, com o crescimento do meu filho e todas as mudanças a nível académico, o nascimento da minha filha e o jantar de turma, tenho-me sentido muito nostálgica. Se a minha infância e adolescência me trazem boas memórias, não é apenas porque fui feliz nessa altura, mas também porque não havia a sombra da morte a pairar. Não havia a noção de mortalidade tão presente na minha vida, para mim era ainda um acontecimento muito longínquo. Nos últimos anos, já comecei a ter outra percepção, claro... ao ver as pessoas envelhecerem, os meus avós a deixarem de conseguir fazer tudo o que faziam...

Enfim, o post já vai longo para dizer apenas que lamento por ele, por mim, por toda a família e que não há morte fácil de aceitar. É duro. Descansa, avô.

sábado, 25 de novembro de 2017

Dedo na ferida

Uma das séries que acompanho é a "This is us". É uma série dramática, emotiva, que, apesar de ser ficção, é uma representação da realidade de muita gente. Retrata dramas familiares e pessoais e mostra-nos como é difícil ultrapassar certos obstáculos na nossa vida e nas nossas relações (amorosas, familiares e profissionais). Como não sou completamente insensível, é uma série cuja história me chega ao coração. Contudo, o episódio que vi ontem, "Number Two", mexeu muito comigo. Foi um episódio sobre a Kate. Começa com ela a falar com o bebé que tem na barriga, super feliz e entusiasmada, mas acaba depressa. Ela perde o bebé. 


A frustração, a dor, o não saber como lidar com esta perda... Tão familiar. Revi-me nas palavras que ela diz à mãe sobre não perceber como pode estar tão triste, já que o bebé ainda nem tinha tempo suficiente para ela saber o sexo, sendo, por isso, ainda tão pequenino; que nem o conhecia. Revi-me na negação dela em aceitar que aquilo tinha acontecido; e revi-me nos diálogos dela com o noivo, Toby, sobre a situação.

Faz em Janeiro dois anos que sofri um aborto espontâneo. E assistir a este episódio foi reviver tudo aquilo. As dores lancinantes, o sangramento interminável, a impotência, a revolta, a dificuldade em contar ao meu filho o que tinha acontecido, o ter que lidar com as perguntas e comentários das pessoas, a vontade de nunca mais voltar a engravidar. A minha resistência em falar deste assunto, a minha aversão a tudo o que se relacionasse com gravidez e maternidade, a minha relutância em aproximar-me de grávidas e bebés... tudo isso passou, com o tempo. Porém, a mágoa da perda, essa, não passa. Talvez nunca.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Um ano depois...

Faz hoje um ano que perdi o meu bebé. Custou imenso a passar, mas, olhando para trás, parece que foi ontem que aconteceu, de tão bem que me lembro. 2016 foi um ano turbulento para mim e há um ano estava no hospital a contorcer-me de dores para expulsar o pequeno ser que tinha parado de se desenvolver na minha barriga. A dor não passa, sabem? Continua a custar relembrar aquele cenário de horror e pensar que, neste momento, podia ter um bebé lindo com 6 meses de vida. Durante semanas, não quis falar com ninguém, ver ninguém, nem sair de casa. Entretanto, passou essa fase, fui obrigada a voltar a enfrentar o mundo e consegui. Mas, depois, veio a fase em que não podia, nem queria, estar perto de bebés, grávidas ou recém-mamãs. Não queria ouvir, nem presenciar, nenhuma conversa sobre gravidez, maternidade, ou qualquer coisa relacionada com o tópico. Quis desistir de ter mais filhos. Coloquei a hipótese de tornar essa decisão permanente e não engravidar nunca mais. Doía-me a alma sempre que passava perto de um bebé. Não é uma sensação que consiga pôr em palavras, mas que dói, dói. Agora, um ano depois, já não me sinto assim. Ultrapassei essa aversão e estou a voltar ao meu eu normal. Aquela pessoa que sempre se derreteu na presença de bebés, que só os quer pegar ao colo, dar beijos nas bochechinhas e sentir-lhes o cheiro delicioso. Continuo com muito receio, porque não posso sequer conceber a ideia de passar por tamanha atrocidade novamente, mas já começo a pensar que gostava de ter outro filho. Que não há coisa melhor neste mundo. Mas é um processo... com calma. Muita calma.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mais tempo, por favor!



A minha baixa está a terminar. Na 2ª feira, já volto ao trabalho. E isso está a deprimir-me como tudo. Não me sinto capaz de voltar. Pode parecer depressivo, mas mal saí de casa desde que aquilo aconteceu. Não me sinto bem na rua, nem perto de pessoas. Não quero ver ninguém, responder a perguntas, conviver, sair de casa, de todo. Só quero continuar no meu canto, enfiada no meu pijama, a tratar da casa, que tem estado mais limpa e arrumada que nunca, no sofá debaixo da manta, a ver séries, filmes, novelas, a ler os meus livros, a tratar do meu filho. O meu coração ainda está assim escurinho, que só ele. Ainda não recuperei o meu arco-íris interior. Só quero casa. E sossego. Não me sinto preparada para ver ninguém... Ainda não.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

I'm really trying


"Pelo menos, foi no início"
"Vais ter muitas outras oportunidades"
"Se aconteceu, foi por uma razão"
"Pelo menos, consegues engravidar"
"Pelo menos, ainda não era mesmo um bebé"

E outras, como:
"Já tens um, devias ficar feliz por isso"
"Já passou um mês, tens que ultrapassar isso!"
"Isso antes dos 3 meses nem chega a ser um bebé"
"Porque estás assim? Até parece que perdeste alguma coisa"
"Não morreu ninguém"
"A vida continua"
"Ficares fechada em casa não vai mudar nada"

NÃO!
Perdi um bebé, o meu filho, que foi planeado e desejado. E é isto que sinto. O que importa se já tenho um? Quer dizer que, por isso, não faz mal ter perdido outro? Então para quem tem dois ou mais filhos, se um morrer atropelado, não faz mal absolutamente nenhum, porque já têm outro com que se contentar?! Se o vosso marido morrer, who cares, porque podem arranjar outro? Se um filho vosso morrer com 3 meses, não faz mal, porque foi no início da vida? Se não têm nada de bom para dizer, fiquem só caladinhos! É uma sensação de vazio terrível. As pessoas parecem pensar que, como não chegou cá fora, nós não os consideramos como uma criança. Que a alegria desde o momento em que obtivemos o positivo no teste pode ser transferida para a próxima gravidez! 

NÃO!
Temos que fazer o luto, temos que chorar, temos que dar tempo para que se ultrapasse a morte de um filho, porque é disso que se trata. Não interessa nada se é um embrião, o tamanho que tem, quanto tempo esteve na barriga. Não interessa que possamos ter mais. Não interessa se já temos algum. Aquele nenhum substitui. No fim, o que fica é um colo vazio. É saber que carregaste uma vida no ventre e que desapareceu, sem aviso, sem te poderes despedir, sem poderes fazer nada. E dói... se dói!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Em recuperação



Depois de um madrugada exasperante com dores e a vomitar... e após isso ter acalmado... ontem à tarde vieram as dores lancinantes. Uma coisa como nunca tinha sentido. Já fui mãe e, apesar de ter tido o meu filho de cesariana, senti as contracções antes do parto. E garanto que o que senti ontem foi muito pior! Nunca pensei ser capaz de suportar tanta dor. Tive que ir para o hospital, pois já só me faltava trepar paredes com as dores. Cheguei lá a contorcer-me e, assim que saí do carro, parecia um filme de terror. Sangue, tanto sangue... Vou poupar-vos aos pormenores, mas não foi uma imagem bonita. Consegui chegar às urgências obstétricas naquele desassossego, gritei com as enfermeiras para me darem medicação, só queria que aquilo acabasse. Foram 4h de dor, uma dor que não desejo a ninguém. Foi um processo de sofrer e fazer força para, no fim, nem ter a recompensa de ter o meu bebé nos braços. Foi, unicamente, para expulsar o que já não estava a desenvolver-se na minha barriga. É uma experiência traumática. Felizmente, tive o meu namorido ao meu lado em todos os momentos, a segurar-me na mão e a dar-me apoio, nunca saindo do meu lado, mesmo com tudo o que se estava a passar. Esteve comigo do princípio ao fim. Os meus pais também têm sido um grande apoio, bem como a minha amiga de longa data, que tem estado comigo em todas as fases da minha vida. Obrigada a todos! A minha médica de família, felizmente, também é uma querida e foi super simpática comigo, prestando-se, inclusivamente, para me consultar no caso de me sentir deprimida ou não estar a conseguir lidar com a situação do aborto. Agora, depois da agonia, tenho um mês de baixa para descansar e recuperar. Uma nova fase começa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Da perda...



Quando uma mulher sofre um aborto e está ainda em idade de poder tentar engravidar novamente, invariavelmente, os comentários são estes: "vocês são novos, podem tentar outra vez!", "foi pelo melhor, se avançasse e tivesse problemas, seria pior", "não tarda tens outro, vais ver". Acreditem, eu já estive do outro lado e sei que não é por mal. Mas, às vezes, principalmente, quando as pessoas encaram isto com alguma leveza, são comentários que acabam por bater-nos como se tivéssemos ido a correr contra um muro. Não acontece sempre e obviamente que depende do tom com que se diz as coisas... mas, por vezes, magoa. Se vocês tiverem vários filhos e perderem um, certamente não vão gostar de ouvir coisas do género. E facto de ser um pequeno ser ainda em desenvolvimento dentro da barriga não invalida o facto de ser uma perda de um filho. E que também custa. O próximo que vier e que será bem-vindo não será um substituto! Este já ninguém o traz de volta.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Minha estrelinha no céu


Ontem fui, novamente, parar às urgências com perdas de sangue. E o pior confirmou-se: é uma gravidez não evolutiva, que parou às 5 semanas, daí dizerem-me que não podia ter mais tempo que isso. O saquinho gestacional já não está redondinho, agora continuo a perder sangue... e que seja rápido, para que saia tudo depressa. A médica deu-me a opção de lá ficar internada e tomar comprimidos para acelerar a expulsão, mas como nem isso era garantido, porque ela disse que podia não resultar e terem que recorrer à raspagem, decidi vir para casa. Ela diz que, se estou a perder sangue, pode ser que o corpo expulse tudo naturalmente. Disse-me também que, na maioria dos casos, uma gravidez não evolutiva acontece quando há malformações. Por isso, racionalmente, e sendo uma pessoa positiva e optimista, eu consigo perceber que a Natureza se encarregou de não deixar avançar uma gravidez que poderia trazer problemas... No entanto, emocionalmente, não é fácil distanciar-me assim tanto e estou aqui num farrapo. Porque, à parte de todas essas considerações racionais, o que sinto apenas é que perdi o meu bebé.

Novo emprego, novas aprendizagens

2024 foi um ano de muitas mudanças na minha vida, depois do que aconteceu em setembro de 2023. Mudanças essas que continuam a acontecer no m...