domingo, 29 de outubro de 2017

A decisão final


Como mencionei por aqui há uns dias, andávamos cá por casa a ponderar a hipótese de o B. emigrar para França durante algum tempo, para termos uma vida um bocadinho mais desafogada e estabilizar um pouco mais as nossas economias. Não é uma escolha fácil, mas o que aconteceu hoje cá em casa facilitou-nos a decisão. O meu filho foi dar um beijinho de boa noite ao B. e veio ter comigo ao quarto para eu o aconchegar na cama. Já era tarde, hoje esticámo-nos na hora de deitar dele, porque fomos jantar à casa da madrinha, mas como é sábado, também não havia problema em adormecer um pouco fora de horas. 

Como o B. tem trabalhado 7 dias por semana e já era 00h, o meu filho disse-me "O pai tem pouco tempo de descanso!", ao que eu respondi "Pois, ele trabalha muito... para ganhar dinheirinho cá para casa". E a resposta dele foi esta "Pois, mas eu não gosto de estar tanto tempo sem o ver... Tenho saudades do pai, gostava que ele passasse mais tempo connosco em casa". Apertou-se-me o coração, ficou pequenino, pequenino... Chamei o B. e pedi ao L. para lhe repetir o que me tinha dito a mim. O B. deu-lhe um beijinho e prometeu que no próximo fim de semana tirava um dia de folga para passar connosco. Depois disto, decidimos que ele ia ficar cá. Com a família. 

O meu filho, aos 2 anos, viu o pai biológico partir para Inglaterra. Era pequenino, mas nunca se esqueceu que tinha um pai. Ele nunca viveu connosco, mas era presente na vida dele. O L. ficou triste com a ausência do pai, revoltou-se pelo facto de ele não estar presente nas festas de aniversário, não queria falar com ele quando ligava, perguntava-me se os bonecos na TV choravam porque não tinham o pai com eles... enfim, não foi fácil. Quem cá ficou para lidar com tudo isso fui eu e só eu sei como foi complicado para ele.

Quando ele tinha 3 anos, o B. entrou na nossa vida. E há 4 anos que ele faz o papel de pai, desde que viemos viver juntos. Ocupou na vida do meu filho o lugar que o pai deixou vazio no coraçãozinho dele. O L. tem perfeita noção de quem é o pai dele e gosta do pai, mas quem esteve sempre presente quando ele precisou, foi o B. E eu não quero que ele volte a passar pelo mesmo. Agora mais velho, com mais noção e pela segunda vez, ver o um pai a partir para longe. Sei bem como custou da primeira vez e não vamos sujeitá-lo a isso novamente.

O dinheiro é importante e faz muita falta, mas não é tudo. A família, sim, é tudo. 💓

4 comentários:

  1. O importante é que estejam todos de acordo.
    E claro que o dinheiro faz falta, mas a nossa saúde quer física, quer mental, o bem estar da nossa família e a nossa felicidade vem acima de tudo.

    Beijocas

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  2. Eu também penso como tu: o dinheiro faz falta mas a família é muito mais importante. O meu namorado diz muitas vezes no trabalho que ao final do dia o tempo é reservado para estar em casa com quem gosta (quando o criticam por não fazer mais horas extras). Mesmo assim já começou a trabalhar feriados e sábados mas, pronto, não é nada que não se aguente.

    Acredito que tenham tomado a melhor decisão e, quem sabe, um dia não possam emigrar todos e ter uma vida mais desafogada.

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  3. A partir do momento em que há filhos, as coisas mudam muito... o importante é que sintam que foi a decisão certa (;

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