segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Não toquem nos meus filhos!

Quando se metem com os nossos filhos, pelo menos acho que todos os pais devem ser assim, e falo por mim, viramos bichos. Queremos fazer tudo para os proteger, para passar uma borracha pelas mágoas e problemas deles. Queremos defendê-los com unhas e dentes do mundo, mas nem sempre é possível. Agora, que sou mãe, sei o que é sentir isso. Mas quando era miúda, não sabia. O meu pai, no entanto, sabia; e julgo que para os homens é uma afronta que os faz cegar meterem-se com as meninas deles. Quando tinha 13/14 anos, estava de conversa com um amigo à porta do café aqui perto de casa e era mesmo só isso que éramos: amigos. Era um convívio inocente e estávamos sossegados até aparecer um grupo relativamente grande de gajos (miúdos entre os 14 e os 18 anos, mais coisa menos coisa), que começaram a meter-se connosco. Começaram por pedir uns trocos para beber café ao rapaz que estava comigo e, quando ele disse que não, pediram o telemóvel "emprestado" para ligar a não sei quem. Ele disse que não tinha telemóvel, mas via-se no bolso das calças, o que foi logo motivo para implicarem com ele. Depois, perguntaram se éramos namorados, o rapaz disse que não, mas não desistiram, começaram a dizer que era mentira, que estávamos ali sozinhos, que éramos namorados e para nos beijarmos... todo um filme. Lá acabaram por se cansar de nos intimidar e foram embora. Poucos dias depois, vi o mesmo grupo a passar à frente da rua onde eu morava, quando ia a sair. Não cheguei a sair, eles viram-me, eu dei meia volta e entrei em casa. Eles entraram na rua e passaram pela minha casa, mas, como não me viram, foram embora. Eu já tinha contado o episódio anterior aos meus pais e, nesse dia, disse-lhes que eram aqueles rapazes. O meu pai saiu de casa, a ferver! Só bem mais tarde, já mais velha, é que vim a saber que foi atrás deles. Encontrou-os no jardim aqui da vila e dirigiu-se ao mais velho, que já devia ter os 18 anos. Os outros estavam todos mais ou menos escondidos, mas o meu pai viu-os. No entanto, foi só para aquele que falou: "Vocês tiveram o azar de se meter com a minha filha já por duas vezes", ao que ele negou. Mas o meu pai cortou-lhe logo a palavra: "Nem vale a pena dizeres que não, porque eu sei que foram vocês. E eu estou a ver os teus amigos, ali, ali e ali e nenhum deles tem cara para levar uma chapada, mas tu já tens. Se tens o azar de acontecer alguma coisa à minha filha, que eu saiba, mesmo que não tenhas sido tu, vou atrás de ti e apanhas. Estás avisado". Foi remédio santo. Aquilo era um grupo de uma terra aqui perto, que andavam por cá naquela altura a chatear as pessoas, eu não fui a única. Aquela ameaça foi suficiente para irem chatear outra freguesia, porque não voltaram a aparecer por cá.

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