sábado, 18 de novembro de 2017

A minha experiência em callcenter


A esmagadora maioria dos testemunhos que oiço sobre callcenters é negativa. Oiço coisas difíceis de acreditar que são verdade, mas não tenho dúvidas de que acontecem. Vai desde não deixarem os operadores irem à casa-de-banho até terem, constantemente, o supervisor por cima do ombro a fazer pressão, principalmente quando se trata de vendas. Pressionar os funcionários para vender é o prato do dia em telemarketing e se não trabalham bem sob pressão, este não é o trabalho para vocês. Quando me contactam, apesar de ser peremptória e afirmar que não estou interessada no que estão a vender, tento manter a boa-educação (ainda que me falte a paciência) porque já estive do outro lado. Trabalhar num callcenter é ser pressionado durante as 8 horas de trabalho, é falar com inúmeras pessoas ao telefone, é ouvir problemas sobre o serviço todo o dia, é garantir que não usamos as palavras erradas, é ter uma conversa usando um guião com palavras-chave e não fugir do protocolo, ou levamos na cabeça. Contudo, venho falar do outro lado. Porque este mundo não é apenas um buraco negro que nos suga a energia e a sanidade mental. A minha experiência nesta área não foi má. Estive em dois a vender e noutros dois a fazer apoio ao cliente. Primeiro ponto: apoio ao cliente é, sem qualquer sombra de dúvida, melhor. Vendas é uma área difícil e todos vocês sabem como este mercado é agressivo, saturando os potenciais clientes. É muito complicado apanhar alguém disponível para ouvir até ao fim e, mais complicado ainda, quem queira comprar o que estamos a promover. Por outro lado, no apoio ao cliente, estamos lá para receber chamadas de quem escolhe contactar-nos e para resolvermos eventuais problemas ou esclarecermos dúvidas sobre o serviço. Somos menos atacados e insultados. A pressão não me incomoda, sempre trabalhei sob pressão e não me enervo facilmente. Acontece, claro, mas não me assusta. Conheço quem prefira trabalhar numa fábrica do que num callcenter, mas eu não sou dessas pessoas (apesar de, ironicamente, trabalhar em ambiente fabril há 5 anos). Gosto de estar sentada a um computador a atender chamadas, registar os problemas e tentar resolvê-los. Gosto de poder usar a minha roupa e os meus sapatos em vez de uma farda. Gosto do facto de ser um trabalho limpo e fisicamente pouco cansativo (embora a cabeça, às vezes, acuse o cansaço), ao contrário daquilo que é numa fábrica. Gosto de poder almoçar/jantar com calma e relaxar um bocadinho antes de voltar ao trabalho, sem ter que fazer tudo às pressas. O que quero salientar é que não devem descartar a hipótese de trabalhar num sítio assim, porque, quem sabe, até podem vir a gostar.

7 comentários:

  1. ate experimentarmos não podemos dizer que não gostamos :)

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  2. Nunca trabalhei num call center mas não acredito que me fosse adaptar. Não gosto de trabalhar sob pressão e apesar do meu trabalho ter dias difícieis normalmente consigo fazer tudo sem me stressar. Acho que não seria capaz de lidar com um superior sempre em cima de mim, a controlar-me. Mas se algum dia tiver que o fazer (ninguém está livre do desemprego) não me irei negar.

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  3. Já lá estive, um mês e odiei mesmo =/
    Eram vendas e é horrível, principalmente para quem não tem jeito nenhum =/

    Beijocas

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  4. Conheço uma senhora que trabalha há já bastante tempo e gosta. Cada um com as suas preferências.

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  5. Eu não ia gostar mesmo nada.
    Realmente, não deve ser fácil.

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  6. Obrigada por teres mencionado o uso de farda. É muito estranho não me sentir na minha pele. Realmente foi uma coisa que, quando usava, sempre me custou um bocadinho até porque não me assentava bem.

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  7. Já ouvi muitas más experiências, acho que não é mesmo para qualquer um... Eu bem sei que têm de insistir e tentar vender, mas por vezes quando me ligam 3 vezes no mesmo dia da nos perco a cabeça xD

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