sexta-feira, 1 de março de 2013

Amor de mãe

Há pouco, no facebook, vi uma publicação a questionar se  uma mãe ama um filho logo a partir do momento em que nasce. Algumas respostas deixaram-me estupefacta. Uma dizia "eu acho que não, porque, se se amasse assim tanto, não havia mães que matam logo à nascença" e outra, na mesma onda "Se se amasse nao haveria maes a matar filhos recem-nascidos". Mas que...? Matar não é coisa que se faça por falta de amor. Eu não amo os meus vizinhos da frente e não seria capaz de os matar. Achei esta lógica totalmente idiota. Matam-nos porque são cabras psicóticas. Outra dizia "Se um filho for desejado claro que se ama desde o início". Ora... então e os que não são desejados? É impossível serem amados logo desde início? Discordo! Outro comentário "Tenho uma amiga que o filho nasceu de ceseriana e quando lhe perguntaram se queria ver o filho disse que não, porque ela tava cheia de dores por causa dele". Oh, meu Deus. Recusar ver o próprio filho porque o culpa, pobre criança sem culpa nenhuma que não pediu para nascer nem para ser feita, das dores que tem?? A sério?! Depois houve muitas, cujos comentários já posso aceitar, porque não são tão ridículos, são apenas opiniões, que posso aceitar como válidas. Como dizerem que o que se sente é muita ternura, mas o amor constrói-se gradualmente. Ou que há um sentimento de pânico por já estar cá fora e não se saber o que fazer. Bem... é óbvio que existem mães que não amam os filhos. Não têm instinto maternal e também não procuram tê-lo. Não fazem tudo o que podem pelos filhos, não os colocam como prioridades e não lhes dão amor, apenas cuidam deles por obrigação e isto é quando o fazem. Mas eu acho que é perfeitamente possível e normal amar um filho logo quando ele nasce. Até antes. Eu, quando soube que estava grávida, não senti um amor incondicional logo na hora. Fiquei assustada, porque não foi planeado e veio numa altura mesmo pouco conveniente para mim. Mas nunca considerei abortar, deixei de fumar e de beber logo que soube, fui a consultas, fiz análises, tomei vitaminas pré-natal... fiz tudo o que devia fazer para que a gravidez corresse bem. No entanto, detestei estar grávida, como já aqui referi. Odiei essa parte do processo e também há muitas mães que me condenam por isso. Fiz a primeira ecografia quase com 3 meses de gestação. Já se via bem a forma de um bebé e eu, simplesmente, derreti-me. E o meu coração bateu mais forte quando ouvi o dele. Ele nasceu de cesariana, eu levei anestesia geral e quando acordei, ainda estava meio abananada e cheia de frio. Mas ouvi-o a chorar, vi-o com a primeira roupa, que eu tinha escolhido para ele, as mãozinhas fechadas junto ao peito e chorei. Nesse momento, senti-me abalroada, que é a palavra certa, por um amor enorme, tão grande como nunca tinha sentido. É uma sensação avassaladora, que não consigo descrever porque é diferente de tudo o que já senti. A questão de sentir pânico e de não saber o que fazer é normal, mas posso dizer que não aconteceu comigo, felizmente. E quanto ao amor ser uma coisa gradual... isso acontece com relações amorosas, em que se vai conhecendo a pessoa, construindo a relação, porque aquela pessoa não é nossa, não é parte de nós. É um complemento e começamos a amá-la pelas características que nela vemos e gostamos. Um filho é totalmente diferente. É um ser nosso, que faz parte de nós, que precisa de nós e o amor é instantâneo.

3 comentários:

  1. Querida Cy, gostei muito deste teu testo sobre o amor filial. Gostei da maneira expressaste todo esse sentimento.
    Beijinhos e bom fim de semana. :)

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  2. Comovente Cy, adorei!
    O meu amor pelas minhas filhotas é incondicionavel, não existem palavras para descrever a dimensão do meu amor!
    já a minha mãe por mim nunca existiu, abandonou-me com 8 aninhos,até hoje nunca me amou, eu amo-a e ando a sofrer demais ao vê-la numa cadeira de rodas após sofrer um AVC.

    beijinho e uma flor

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  3. Turista, obrigada!
    Beijinhos e bom fim de semana :)

    Flor, compreendo tão bem a falta de palavras para descrever o que se sente por um filho. É indescritível.
    Quanto à sua mãe, lamento imenso, há de facto mulheres que não nasceram para isso :( beijinho

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