terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A eterna desigualdade

As mulheres portuguesas são parvas é um artigo de Maria Filomena Mónica, uma historiadora e socióloga de 72 anos.

Fala nesse artigo de um tema que, infelizmente, ainda não deixou de ser actual, apesar de muita gente pensar que sim. Aborda o facto de as mulheres continuarem em desigualdade face aos homens, principalmente, nas lides domésticas e relacionadas com os filhos. Como pude constatar pelos comentários, há muita gente que se insurge ao ler isto e, inclusivé, insulta a senhora pela sua opinião. Será que algum dia iremos aprender a discordar sem partir para o insulto?

O título ofende muita gente, que não consegue ver para além dessas palavras. Muitos defendem que as coisas mudaram, que os homens "ajudam" em casa. Logo aqui, temos um erro muito grande, cometido pela maior parte das mulheres. O homem não deve AJUDAR, mas as tarefas devem ser, sim, DIVIDIDAS. Se ele "ajuda", pressupõe-se que é obrigação da mulher tratar de tudo e que é um favor louvável que os maridos fazem ao "ajudá-las". Não. Errado. Muito errado. Se um deles estiver em casa, é normal que o que está desempregado faça mais em casa, por uma questão de tempo. Agora, se ambos trabalham fora de casa, porque é que a mulher deve chegar a casa e ter que se preocupar com tudo sozinha para o marido ir sentar-se no sofá ou ir beber café com os amigos? 

Ok, hoje em dia, as mulheres, no geral, não são escravas como antigamente, têm direito de voto, podem divorciar-se, são mais competitivas e activas profissionalmente, muitas nem pretendem incluir a maternidade na vida familiar. SIM, as coisas mudaram. Mas penso que ainda há um longo caminho a percorrer e que este assunto nunca estará ultrapassado enquanto houver desigualdades, seja em que campo for.

Por vezes, a maioria dos casos onde as mulheres julgam que a divisão das tarefas é satisfatória, acontece o seguinte: a mulher faz o jantar, o marido lava a loiça e vai à vidinha dele. E muitas vezes não fica por aqui: a mulher ainda conta uma história aos filhos, controla os seus horários de dormir, lavar os dentes e tomar banho, arruma o que é necessário para o dia seguinte (trabalho e escola) e, se preciso for, ainda passa umas peças a ferro. E o marido, porque lavou uma loiça, pensa que já fez o que lhe competia. O problema (e penso que é aí que entra "as mulheres portuguesas são parvas") é que muitas se conformam com isto quando não o deviam fazer. Não deviam ter que pedir ajuda ao marido, ele devia fazê-lo por iniciativa própria, porque são obrigações de AMBOS e nunca só de um.

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